Vídeo da Semana: O Baile de Dirceu

NUNCA TINHA visto Zé Dirceu tanto tempo. São mais de 20 minutos de vídeo. A surpresa para mim não foi o preparo, a agudeza intelectual dele. Quem tem a formação dele bobo não pode ser.

O que me surpreendeu, negativamente, foi a fraqueza, por comparação, dos entrevistadores. Eles levaram um baile, não porque sejam menos inteligentes, mas porque mostraram um conhecimento superficial de assuntos vitais da entrevista, como a questão nuclear em que o Irã está envolvido.

Para se informar, o espectador teve que se fiar em Dirceu, não nos entrevistadores ou, muito menos, na mediadora, que não encontrou um terreno propício para fazer o que sabe melhor – flertar com o entrevistado.

Euclides da Cunha uma vez disse que o marechal Floriano Peixoto não se elevara; antes operara-se em torno dele uma depressão. Para Zé Dirceu vale o mesmo. Não que ele tenha se elevado. Mas a bancada – incluídos jornalistas renomados como Augusto Nunes e Paulo Moreira Leite – foi medíocre. Você não pega um sujeito inteligente como Dirceu no grito. Tem que se preparar. Tem que ter argumentos mais potentes que a vontade de agredir.

Mostraria, se estivesse treinando jovens jornalistas, este vídeo como uma lição de como não se deve fazer entrevista.

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