Victor Fasano, Fafá e o caso dos artistas que apoiaram o golpe e agora querem salvar a Amazônia. Por Kiko Nogueira

https://www.youtube.com/watch?v=oOb5y_lVz-Q

Se Ezra Pound tivesse conhecido o Brasil, jamais diria que os artistas são as antenas da raça.

Os nossos são o retrato fiel de uma derrocada moral — com as exceções de praxe, a começar por Chico Buarque.

Um ano depois de um golpe vagabundo, celebridades A, B e C resolveram se manifestar.

O motivo é a decisão de Temer de extinguir a Reserva Nacional do Cobre e seus Associados (Renca) na Amazônia, 47 mil metros quadrados localizados no Pará e no Amapá.

A lista de indignados inclui Fafá de Belém, Victor Fasano,  Gretchen (!), Gisele Bündchen, Ivente Sangalo, Marcos Palmeira, Bela Gil e outros menos cotados.

“Presidente Temer, você tem noção do que está fazendo disponibilizando uma área maior do que a Noruega para ser utilizada para mineração em plena Serra do Tumucumaque?”, diz um apoplético Fasano num vídeo.

Ele, como seus colegas, não consegue juntar uma coisa  — um impeachment fraudado — a outra — o desmanche de um estado por um sujeito que não foi eleito.

Sujeito esse que chegou lá com a bênção de boa parte dessa gente.

Fafá foi a estrela de uma festa picareta no Palácio do Planalto em novembro. Cantou, para variar desafinada, o Hino Nacional numa tal cerimônia de entrega da Ordem do Mérito Cultural 2016. Faturou R$ 15 mil.

Fasano esteve com as amigas Susana Vieira, Luana Piovani, Lucinha Lins e Fagner em Curitiba puxando o saco de Sergio Moro, sem o qual nada disso seria possível.

Palmeira assinou um manifesto intitulado “Esquerda Democrática com Aécio Neves” em 2014 e, no ano passado, gravou depoimento para Deltan Dallagnol e suas 10 Medidas Contra a Corrupção, tremendo 171 que rendeu muita palestra para o procurador de bochechas rosadas.

Quem não se engajou nessa tragédia nacional se calou, o que é a mesma coisa.

Não há causa menos, digamos, covarde do que a floresta amazônica. Quem pode ser a favor de sua destruição? Daí para o papo furado acerca de sustentabilidade, especialidade de Marina Silva, é um pulo.

O maior símbolo desse ativismo babaquara é Sting. Nos anos 80, o ex-vocalista do Police aparecia toda semana no Fantástico com um cocar, fumando um cachimbo da paz ao lado do cacique Raoni. Um dia ele se cansou, pegou seu jato e nunca mais voltou.

Não é menos ridículo o movimento em desagravo do juiz Marcelo Bretas, que vive num cabo de guerra com Gilmar Mendes em torno da prisão e soltura de Rogério Onofre, ex-presidente do Detro, no RJ.

A geléia geral tem Caetano Veloso e a galera do Vem Pra Rua, aquele mesmo grupo que coloriu a Paulista de verde e amarelo com Janaína Paschoal no carro de som e patos na plateia.

O grande momento da turma foi o cartaz com uso errado da vírgula, separando sujeito do verbo na frase “O Rio, está com você”.

Não por acaso, estão todos alinhadíssimos com a Globo.

Como levar a sério?

Saudade do Bozo. Aquele sim nunca enganou ninguém.

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