Uma ideia genial da Alemanha para lidar com manifestações fascistas no Brasil. Por Kiko Nogueira

“Nós lembramos Rudolf Hess”, diz a faixa

 

Vem da Alemanha uma ideia que pode ser adaptada às nossas marchas anticomunistas, antibolivarianas, anticubanas, antidemocráticas, bolsonarianas, eventualmente fascistas.

Todos os anos, desde 1988, neonazistas se reúnem na cidade de Wunsiedel, onde estavam os restos do líder do partido Rudolf Hess. O corpo foi removido dali em 2011, mas nem assim o pessoal deu um descanso.

No dia 15 de novembro — veja que coincidência –, os moradores resolveram, como diria Ana Maria Braga, transformar os limões numa limonada. Espalharam marcas no percurso da peregrinação com valores em euros, ao invés de sinalizações de distância.

Cada metro significava uma doação dos habitantes. Bandeiras coloridas serviam para incentivar o povo a ir adiante — aumentando, portanto, a grana levantada.

O dinheiro vai para uma organização chamada Exit-Germany, dedicada a apoiar aqueles que gostariam de abandonar movimentos de extrema direita e “começar uma nova vida”.

A pegadinha era cheia de referências carinhosas à causa defendida pelos manifestantes. No meio do caminho, lia-se um cartaz escrito “Obrigado pelos 5 mil euros”. Uma mesa com frutas estava armada para revigorar os homens e mulheres. Em cima dela, os dizeres “Mein Mampf” (“Minha Comida”, uma alusão ao livro “Mein Kampf” do führer).

O total arrecadado foi de 10 mil euros. A organização do evento coube à Rechts gegen Rechts (“Nazistas contra “Nazistas”). “Queríamos criar uma via alternativa contra os protestos” disse Fabian Wichmann, um dos idealizadores. “Mostrar o que mais você pode fazer e outros cursos de ação. Você pode ir além de bloquear a rua ou fechar as janelas”.

A iniciativa, logicamente, deu um nó na cabeça dos neofascistas, que estranharam a recepção dos locais. Pela primeira vez na história, nazistas participaram de uma manifestação contra nazistas.

É algo para se pensar no próximo encontro pedindo intervenção militar no Brasil. Se os alemães, que não são particularmente conhecidos por seu senso de humor, bolaram uma saída espirituosa, não será difícil implantar algo parecido por aqui.

Por que não arrecadar dinheiro para passagens de avião, por exemplo, e depois fazer um sorteio entre a galera? Fica a dica.

 

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