Uma heroína americana

A história de Rachel Corrie, morta ao tentar evitar a destruição de casas de palestinos

Rachel

E então o Diário celebra, aqui, um herói.

Na verdade, uma heroína. A americana Rachel Corrie, morta em 2002.

Rachel tinha 23 anos quando, em seu ativismo pró-humanidade, decidiu ir para a Palestina. Com outros ativistas, Rachel queria fazer uma das coisas mais nobres que um ser humano pode fazer: dar voz a quem não tem.

Na tarde em que morreu, tanques e tratores israelenses estavam fazendo uma coisa que se tornaria rotina na Palestina: derrubar casas. (Muitos veteranos israelenses lembram, com dor particular, da destruição organizada de casas. Neste site, em inglês, você pode ver vários testemunhos compungidos de soldados de Israel.)

Rachel estava com um colete colorido para chamar a atenção dos condutores dos tratores, da marca americana Caterpillar. Ficou, num determinado momento, à frente de um quando ele se preparava para obliterar uma casa. A cena foi parecida com a daquele estudante chinês que, nos protestos da Praça da Paz Celestial, desafiou com sua bravura ilimitada um tanque.

A diferença é que o trator não se deteve. Testemunhas lembram que quando ela tentou recuar, aterrorizada, era tarde demais. Rachel morreu na ambulância.

Anos depois, ela está viva no noticiário internacional. Pouco tempo atrás, a justiça de Israel decidiu que o país não teve culpa na morte. A família de Rachel vinha travando uma demorada luta jurídica para que Israel reconhecesse sua responsabilidade. O pedido de indenização era simbólico: 1 dólar. A família gastou 200 000 dólares no caso.

Rachel estava, por vontade própria, num lugar perigoso, afirmou a justiça de Israel. Heróis como Rachel costumam estar mesmo em lugares perigosos, na defesa de seus ideais e dos desvalidos, e não em hotéis paradisíacos como aquele em Las Vegas que tornou mundialmente conhecidas as nádegas do Príncipe Harry.

“Foi um mau dia para Israel e para a humanidade”, disse a mãe de Rachel, que estava em Israel para acompanhar o veredito.

O Diário é otimista na alma, mas neste momento é difícil deixar de reconhecer que estão dramaticamente escassos, nestes tempos, os bons dias para a humanidade.

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