Uma breve disco-biografia do Charlie Brown Jr.

O texto abaixo foi escrito pelo leitor Falcão e publicado originalmente no DCM como comentário na reportagem “Os Melhores Baixos de Champignon”. Foi editado minimamente para adequação do português e inclusão de informações, sem mudar o sentido.

o melhor álbum do CBJR segundo Falcão
o melhor álbum do CBJR segundo o leitor Falcão

O Charlie Brown Jr. foi uma das bandas nacionais símbolo da minha adolescência, junto com Raimundos e a melhor delas, Planet Hemp. Como fã adormecido, vou tentar dar minha opinião sobre ela.

Foram 3 álbuns excelentes, os três primeiros com a formação original. Chorão nos vocais, Champignon no baixo, Thiago Castanho e Marcão nas guitarras, e Pelado na bateria). O primeiro é “Transpiração Contínua Prolongada”, de 1997. O segundo, e melhor de todos, “Preço Curto, Prazo Longo”.Charlie-Brown-JR-Transpiracao-Continua-Prolongada

A banda piorou muito, mas muito mesmo, quando Castanho saiu, depois de “Nadando Com os Tubarões”, o terceiro álbum, lançado em 2000. Ele era o principal e melhor guitarrista da banda, além de excelente produtor. O que aconteceu foi que ele tomou partido do produtor Rick Bonadio numa briga com o Chorão. Uma pena. Na época, Bonadio estava no auge, não era esse pangaré de hoje em dia.

A partir de 2001, com o quarto álbum, “100% Charlie Brown Jr. – Abalando a Sua Fábrica”, a banda ficou mais pop-rock. Se antes flertava com Rage Against The Machine, passou a ser uma banda de “rock garagem” no sentido mais comercial do termo. Lançava um álbum por ano e só tocava o single dele ao vivo.

Claro que fez sucesso. O som passou a ser mais acessível, cheio de baladinhas xoxas. E então, em 2003, veio aquele acústico, muito bem feito, mas mais pop do que nunca.

O quinto álbum (“Bocas Ordinárias”, 2002) e o sexto (“Tamo Aí Na Atividade”, 2004, novamente com Bonadio, mas já decadente) são completamente descartáveis. A banda se pasteurizou. E isso levou o Chorão, incentivado pela gravadora, a pincelar uma carreira solo que chamaria Skate Vibration.cbacustico

Os demais integrantes, ao saberem disso, ficaram inconformados, especialmente o Champignon, e pularam fora do barco. Isso foi em 2005. Chorão, então, decidiu manter o nome Charlie Brown Jr., ainda que, na prática, fosse uma banda totalmente diferente da dos últimos anos. O álbum que seria do Skate Vibration se torna o “Imunidade Musical”, uma tentativa clara de se fazer um novo “Preço Curto, Prazo Longo”, de volta na banda.

Não conseguiram repetir a qualidade, mas ainda assim este é o melhor álbum depois dos 3 primeiros.

Depois do péssimo “Camisa 10 (Joga Bola Até Na Chuva)”, de 2009, a banda foi se remontando (exceto pelo Pelado, que virou evangélico e nem faz tanta falta).

Infelizmente não tivemos tempo pra ver se iriam voltar a gravar grandes álbuns. Eu tinha esperança de que sim. Apesar disso, hoje tenho mais de 30 anos e já ouvi de muita gente que passei da idade de escutar Charlie Brown Jr.

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