Como foi a vida no DCM na cobertura destas eleições presidenciais

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E então vamos ao balanço dessa exaustiva e fascinante temporada eleitoral encerrada ontem.

Poucas coisas, na vida de um jornalista, são mais desafiadoras do que uma cobertura de eleições presidenciais.

O papel de um site de notícias, nestas ocasiões, é jogar luzes onde existem sombras, fornecer informações onde impera um silêncio suspeito – e no final de tudo isso ajudar o leitor a tomar a melhor decisão possível.

Demos o máximo no período, o que significou frequentemente mudar uma manchete em plena madrugada de um sábado ou de um domingo e coisas do gênero.

As últimas semanas foram especialmente complicadas para mim. Em Londres, onde estou neste momento, são quatro horas a mais. Isso significou ver debates se iniciarem às 2 da madrugada, e depois deles escrever uma análise, já quase pela manhã.

Kiko, em São Paulo, foi ao longo da campanha um articulista e editor de política que daria orgulho a nosso pai, o jornalista Emir Nogueira. Kiko se valeu do trabalho de dois grandes repórteres, um jovem, Pedro Zambarda de Araújo, e um veterano, Joaquim Carvalho, o autor do já clássico documentário sobre o Helicoca.

Em Londres, Erika Nakamura foi um suporte essencial para o DCM e para mim, ela que cuida do site nas redes sociais. Também ela — com sua charmosamente vistosa barriga de sete meses de gravidez — viu em horários crueis todos os debates e sabatinas.

As questões que nos empenhamos por decifrar foram as mais variadas possíveis: quanto duraria a Marinamania, por exemplo. (Resposta: pouco.)

Mais no final, tivemos que lutar para entender o impacto do crime pseudojornalístico da Veja. (Resposta: difícil de avaliar.)

A cada pesquisa, a cada debate, a cada sabatina, lá estávamos nós, na busca de informações e análises que pudessem de alguma forma contribuir para quem nos lê.

Dadas as circunstâncias, fomos frequentemente um contraponto teimoso às opiniões monolíticas que as grandes empresas de jornalismo procuram impor sobre a sociedade.

Com estatísticas 100% confiáveis, pudemos mostrar, por exemplo, que a crise econômica mundial tem sim um enorme papel nas dificuldades que o país enfrenta no momento.

A visão viciada propagada pela mídia e por Aécio quis atribuir ao governo Dilma toda a responsabilidade pelas turbulências.

Se a imagem de incompetente colasse em Dilma, ficaria mais fácil o serviço de removê-la do cargo.

Também demonstramos, com dados incontestáveis, a inconsistência da pregação de Aécio em torno da “meritocracia”.

Ao longo de sua carreira, Aécio vem distribuindo cargos a parentes e amigos que são a exata negação da meritocracia.

A importância em revelar este aspecto de Aécio é que o traço básico de um demagogo é falar numa coisa e fazer outra. E o Brasil não merecia enfrentar um demagogo.

Mostramos também o que viria de Aécio caso eleito, para além das palavras edulcoradas propositadamente: um modelo de governo que privilegia a plutocracia e só lembra dos pobres em época de eleição, para usar uma frase espirituosa de Lula.

Ora, para um país cuja maior chaga é a desigualdade social, ter Aécio no Planalto seria uma calamidade.

A resposta do público à nossa cobertura nos honra e nos comove.

Chegamos, no momento em que escrevo, 16h10 do dia 27 de outubro, à marca de 14 milhões de acessos, um crescimento de mais de 40% sobre o total do mês anterior. Ultrapassamos, ainda, a marca de 3 milhões de visitantes únicos.

Somos hoje, com menos de dois anos sob a atual forma, um dos maiores sites de notícias e análises do Brasil.

Somos absolutamente apartidários e independentes. Defendemos, como bem sabe quem nos conhece, uma única coisa: um Brasil “escandinavo”. Nos batemos por um país ao mesmo tempo libertário, politica e economicamente , e igualitário, socialmente.

Aécio, em nossa visão, era – e é – a negação do Brasil “escandinavo”.

Ao longo de nossa cobertura, isso foi ficando mais e mais claro por causa não de interpretações pessoais e tendenciosas – mas pelos fatos.

Cobrir as eleições foi uma aventura editorial que nos demandou no limite de nossas energias.

Mas, vistas as coisas em retrospectiva agora, amamos cada momento que vivemos neste período – mesmo quando uma manchete tinha que ser mudada quando nossos leitores roncavam estrepitosamente.

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