Temer, já entendemos o porquê do seu novo aumento de impostos. Por Carlos Fernandes

Eles

Após anunciar novo corte das despesas do governo e o aumento das alíquotas do PIS/Cofins que incidem diretamente no preço dos combustíveis, Michel Temer disse acreditar que a população brasileira irá entender.

A bem da verdade, não há muito o que compreender no fracasso descomunal que ora se apresenta a política econômica do atual governo.

Como simplesmente inexiste qualquer projeto minimamente viável para alavancar a tão alardeada retomada do crescimento, tudo resume-se a uma simples operação aritmética.

Completamente incapaz de impulsionar a produção industrial, a abertura consistente de novas vagas de trabalho, a expansão do consumo familiar e o consequente aumento da arrecadação federal, a equipe econômica de Temer, na iminência de estourar o deficit fiscal de 2017 previsto em R$ 139 bilhões, limita-se apenas a apertar ainda mais o cinto, além, é claro, de cobrar a conta de sua incompetência justamente de quem mais é sacrificado, o povo.

Aqui é preciso lembrarmos que essas medidas não são inéditas nesse governo.

Já em março deste ano, Temer e Meirelles tiveram que vir a público anunciar um corte de despesas e investimentos de R$ 42,1 bilhões, a cobrança de IOF para cooperativas de crédito e o fim de benefícios fiscais para empresas na contratação de funcionários.

Além de não gerar as receitas previstas, aprofundou ainda mais a crise na economia.

Naquela ocasião, em artigo publicado aqui no DCM, fiz a previsão de que não só a crise persistiria como seria necessário novo aumento de impostos e novos cortes nos gastos e investimentos do Estado.

Batata!

No momento em que serviços básicos de obrigação constitucional do Estado entram em colapso, Temer impõe mais um corte de R$ 5,9 bilhões nos gastos e aumenta consideravelmente o preço da gasolina, que inevitavelmente gera um efeito cascata em praticamente todos os demais produtos ao consumidor.

Não é só uma medida amarga, é cruel. Mas, ainda assim, o iluminado quer a nossa compreensão.

Temer quer que sejamos compreensíveis com a sua necessidade de retirar do salário de cada brasileiro os bilhões necessários para comprar votos de uma canalha para sustentar o seu governo corrupto.

Temer quer que enquanto morremos nas filas dos hospitais públicos, sejamos complacentes com a sua necessidade de adquirir um avião presidencial maior e de mais autonomia ao custo de R$ 71 milhões. Afinal, fazer escalas é para pobres.

Temer quer que sejamos indulgentes ao faltar comida em nossas mesas para que seja possível Dona Marcela torrar milhões no seu precioso cartão corporativo.

São sacrifícios, insiste ele, que todos nós, não ele, devemos tomar em prol de um bem maior: a satisfação do Deus mercado.

Por tudo isso entendemos claramente, Temer, o porquê do seu novo aumento de impostos.

Você não existe sem a conivência do submundo, a sua sobrevivência só é possível em meio à lama, o seu habitat natural se dá entre corruptos, quadrilheiros, covardes e marginais afins.

Entendemos, Temer, que para isso é preciso dinheiro.

Entendemos que entre traidores não existem amigos, tudo é comprado. Entendemos a sua incompetência e a sua subserviência a interesses escusos.

Enfim, entendemos.

Só não espere compreensão e passividade. Isso não terá. Jamais terá.

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