Se Temer não contar quem é o “Edgar”, basta perguntar a Rocha Loures, que o conhece bem. Por Kiko Nogueira

Cadê o Edgar?

 

Como todo filme de máfia, a derrocada do governo Temer é cheia de facínoras conhecidos e outros misteriosos.

A Polícia Federal quer saber de Michel quem é um tal “Edgar”.

Está lá na pergunta número 47 das 82 enviadas a Michel:

“Vossa Excelência tem alguém chamado ‘Edgar’ no universo de pessoas com quem se relaciona com certa proximidade?”

Continua: “Se sim, identificar tal pessoa, mencionando a atividade profissional, eventual envolvimento na atividade partidária, descrevendo, ainda, a relação que com ela mantém”.

O advogado de Temer, Antônio Claudio Mariz de Oliveira, já avisou que seu cliente não vai responder a todas as questões.

Se não responder, é sinal de culpa. Se responder e mentir, está lascado. Mariz pediu mais tempo para ver se sai da sinuca de bico.

As especulações começaram. Edgar é Marcela, disse alguém no Twitter.

Ele vai aparecer mais cedo ou mais tarde, como outros paus mandados do círculo temerista.

Se Temer não contar, o homem da mala conta.

Nos grampos da operação Patmos, Edgar aparece nas negociações entre o lobista Ricardo Saud, da JBS, e Rodrigo Rocha Loures.

Eles discutem uma entrega de dinheiro no estacionamento da escola Germinare, “projeto social” do grupo J&F.

O dinheiro poderia ir em caixas de isopor, como se Loures estivesse “buscando carne”.

RICARDO: Deixa eu te contar…tô te contando isso por quê? Tem um estacionamento da escola

RODRIGO: Ah, tem um estacionamento da escola?

RICARDO: Da escola, eu passo muito ali entendeu? O estacionamento lá tem quatro mil carros, você me apresenta o Edgar.

RODRIGO: Entendi

RICARDO: Ricardo, tá chegando aí e tal..

RODRIGO: ….além de você, quem?

RICARDO: Não, ninguém. Aí é meio….ou eu o Joesley só. Sabe por quê?

RODRIGO: ininteligível

RICARDO: Se só tiver três, fodeu..Eu acho, aí…

RODRIGO: Você acha melhor?

RICARDO: Eu acho que você não nota nem nada. Aí o cara tem um carro blindado, é um cara experiente, acabou…e lá dentro é muito seguro, não tem nada, entra pela Escola, não entra pela JBS não, dá a volta entra pela Escola, vou lá falar com o Professor Ricardo. Eu sou professor lá mesmo.

(…)

Num outro trecho, ele reaparece, juntamente com um certo Celso — Antônio Celso Grecco, amigão de Temer, sócio da Rodrimar, que foi alvo de busca e apreensão na Patmos.

RODRIGO: Lá tem um amigo… o Celso é muito amigo dele

RICARDO: É? Ele é muito amigo do presidente, do nosso presidente…

RODRIGO: Ele é.

RICARDO: E o Presidente confia nele a esse ponto?

RODRIGO: ininteligível…

RICARDO: Sério? Eu gosto daquele Celso sabia?

RODRIGO: Gente fina

RICARDO: Muito… e a vida inteira ele foi Michel, viu? Hora nenhuma ele bandeou pro lado da Dilma…

RODRIGO: Inclusive….

RICARDO: Por que o cara não vem aqui? Ele é um cara firme, não sei o tamanho da confiança… Pode ué

RODRIGO: Então vamos fazer o seguinte…eu vou…ininteligível…com o Edgar. Se o Edgar ….tem duas opções: o Edgar ou o teu xará.

RICARDO: Pra mim é mais confortável com o Edgar

RODRIGO: Você não conhece e ele também não te conhece

RICARDO: O problema é o seguinte, a gente já fez muito negócio lá com o Ricardo e com o Celso…bom se é da confiança do chefe, não tem problema nenhum…

RODRIGO: não, não, vocês que têm que resolver, porque, na realidade…você não tá confortável, você diz que não tá confortável e ponto.

Edgar, Edgar, é melhor você aparecer agora antes que a turma te encontre. Vai por mim.

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