Se o apartamento de Zezé Perrella em Brasília falasse

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Zezé Perrella está novamente no noticiário, comprovando mais uma vez a tese de que tudo o que é ruim sempre pode piorar.

A Justiça Federal determinou a perda da função pública e a suspensão de seus direitos políticos por três anos. Deve pagar multa de 50 mil reais. A condenação, em primeiro grau, ocorreu nove anos depois de o Ministério Público Federal entrar com uma ação de improbidade administrativa contra ele.

Perrella cedeu o apartamento funcional a pessoas não autorizadas quando era deputado federal, entre 1999 e 2003. Outros catorze parlamentares fizeram o mesmo. O MPF do Distrito Federal pediu a Perrella o ressarcimento de quase 200 mil por prejuízos causados à União.

O imóvel, numa área nobre da capital, foi usado, durante e depois da legislatura, por assessores. Além da moradia na faixa, houve despesas de telefone, eletricidade e gás, tudo pago por você. A assessoria de Perrella declarou que a decisão é preliminar e que ele já recorreu. Só se manifestará quando houver uma decisão final.

Quem ocupava o apê de Perrella? O ex-assessor Rogério Nunes de Oliveira e, por um período mais longo, o ex-chefe de gabinete José Guilherme Cardoso.

Perrella foi derrotado na disputa ao Senado em 2002, mas as chaves do apartamento, que deveriam ter sido devolvidas no início de 2003, só chegaram em agosto de 2004. Em maio daquele ano, Cardoso deu uma entrevista ao Estado de Minas tentando explicar a situação. Ele estava, em tese, rompido com o ex-chefe por “razões políticas” desde 2002. Os dois teriam morado juntos por mais de um ano, até Perrella perder a eleição para o Senado e ir embora de Brasília. Cardoso tinha um “escritório de representação” na cidade.

Por que ele não saiu? Porque, segundo ele, ninguém pediu.“Então, eu fui ficando e nunca fui notificado. O próprio pessoal da Câmara alegou que imóvel fechado tem um desgaste maior e acumula sujeira”, disse. De acordo com a Câmara, porém, ele e Perrella receberam várias notificações para que o imóvel fosse devolvido, nunca respondidas.

Perrella afirmou, na época, que os dois haviam rompido. “Nunca mais falei com ele”, disse. “Eu não tenho qualquer responsabilidade sobre isso”. Não? De acordo com a juíza Diana Maria Wanderlei da Silva, “o réu, como ex-parlamentar federal, ao exercer, por largo período, atividade típica de legislar, presume-se que detinha conhecimento acima da média sobre a legislação regente”.

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