São Paulo sob a ótica de nosso ciclorrepórter no dia das eleições

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No dia das eleições, nosso ciclorrepórter Jura Passos percorreu as ciclovias paulistanas entre Perdizes – na zona oeste – e Itaquera – no extremo leste da cidade – passando por Higienópolis, Praça da Sé e Liberdade.

De lá, já no final da tarde, ele foi de metrô até a escola estadual Professora Luzia de Queiroz e Oliveira, próxima ao Itaquerão, completamente deserto nesta tarde.

Neste curto percurso de apenas 23 quilômetros ele encontrou não só duas cidades, mas dois países diferentes.

Não um em cada ponta como antigamente, mas os dois na duas pontas. Abaixo, seu relato:

Se a riqueza e a miséria ainda convivem em São Paulo, a distribuição mudou.

E mudou principalmente na periferia.

Higienópolis continua o mesmo.

Trânsito para votar e motoristas irritados reclamando das ciclovias.

De Perdizes a Higienópolis, o percurso pela ciclovia levou apenas 20 minutos.

Pausa para fotografar o congestionamento na alameda Barros para os leitores do DCM.

“Você está fotografando o trânsito parado enquanto a ciclovia está vazia?”, perguntou uma motorista, enquanto outro buzinava na esperança de que, como a ciclovia, a rua se abrisse feito o mar vermelho.

Para ele!

Na Praça Vilaboim os eleitores se reuniam em torno de mesas fartas para beber, comer e festejar a vida boa nesta bela tarde democrática e ensolarada, sobretudo para eles.

Talvez até para comemorar previamente os resultados que planejaram alcançar.

Na porta de um dos restaurantes da praça um jipão importado impedia o trânsito na ciclovia.

As ciclovias vieram competir com um negócio tipicamente paulistano.

A venda de privilégios.

O serviço de valet, por exemplo.

Se não tem lugar para parar na porta do restaurante e o freguês não quer tomar chuva ou tem medo de andar na rua, o dono do restaurante ocupa a vaga na porta e bota manobristas para guardar o carro.

Isso não é ilegal.

A câmera dos vereadores aprovou.

Os donos de bares e restaurantes têm uma bancada muito forte.

Graças a ela as calçadas são intransitáveis, o espaço público foi privatizado e o barulho para quem mora ao lado deles é ensurdecedor.

Não é à toa que eles odeiam ciclovias.

O DCM fotografou o jipão estacionado na ciclovia na porta do restaurante.

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O dono não gostou e perguntou se a foto seria enviada ao Kassab. Depois se corrigiu e trocou por Haddad.

Nomes árabes confundem os eleitores de Higienópolis.

O trânsito também estava parado na avenida Higienópolis, entre o shopping e os colégios Sion e Rio Branco, onde vota a nata do bairro e diversos grão tucanos, a começar pelo vizinho FHC.

Quem tem o título de eleitor atualizado, ou mora no mesmo endereço há muito tempo, vota perto de casa.

Não há razão alguma para ir votar de carro, exceto nos casos de incapacidade física de locomoção, é claro.

Por isso estava difícil chegar e encontrar uma vaga para estacionar diante das seções eleitorais do bairro.

Como ainda não há serviço de valet para votações, os flanelinhas faziam a festa.

Saindo dali, em direção ao centro da cidade, avenida São Luís, viaduto do Chá, Praça da Sé e da Liberdade a tranquilidade contrastava com o nervosismo da campanha eleitoral.

Ao contrário da Praça Vilaboim, na praça Dom José Gaspar o Paribar já aprendeu a conviver com os ciclistas.

10% de desconto para quem chega pedalando!

Na praça da Liberdade – o antigo Largo dos Aflitos – a aflição diante da forca que havia ali foi substituída pelo frenesi dos eleitores, gulosos como sempre, disputando sushis e yakisobas fumegantes com maior avidez do que os candidatos disputavam seus votos.

Pausa para o almoço tardio de nosso repórter também.

Com direito a sunomono, mushimono e yakimono misturados com yakisoba e batata frita e suco de maçã made in Taiwan.

Afinal a reportagem é sobre eleições em São Paulo.

O cardápio da colinha dos eleitores não dever ter sido muito diferente.

Sem pedir sobremesa, nosso repórter desceu as escadas da estação do metrô e embarcou para Itaquera.

Circundou o Itaquerão vazio e abandonado até chegar ao colégio estadual Professora Luzia de Queiroz e Oliveira.

Lá não havia trânsito nem falta de estacionamento.

Nem valets, bares, restaurantes.

Nem ciclovias, nem bicicletas, nem protestos.

Os problemas lá são outros.

Faltam calçadas e sobra lixo na rua.

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