Quem é Caprilles, o adversário de Chávez

Caprilles

 

Henrique Caprilles.

Fiquei interessado em conhecer as idéias dele, que é o adversário de Chávez nas eleições presidenciais venezuelas. É um homem jovem, aos 39 anos, tem experiência política (foi prefeito e governador) e pode ser classificado como um bonitão. Causa boa impressão, inegavelmente. Tem ascendência polonesa (seus avós fugiram do nazismo), e uma ideologia de centro esquerda.

Minha pesquisa se baseou em material internacional, dada a escassez de informações sobre ele nas publicações brasileiras. Nelas, sobretudo entre os comentaristas, Caprilles aparece, basicamente, apenas como uma alavanca para os habituais ataques a Chávez, o satanás.

O que mais me chamou a atenção foram duas coisas.

Primeiro, Caprilles disse, publicamente, que sua “fonte de inspiração” são os programas sociais de Lula. Nos elogios a Caprilles que o leitor brasileiro fatalmente  lerá em doses copiosas, este é um dado que provavelmente jamais será citado.

Segundo, Caprilles disse, também publicamente, que seria “louco” se interrompesse os programas sociais de Chávez. São vários. Um dos mais interessantes deles é um que proporcionou atendimento médico a milhões de venezuelanos que jamais tinham tido antes acesso a um doutor.

Chávez se valeu, aí, de suas boas relações com Cuba – uma referência internacional em saúde pública, algo que nem os mais acerbos críticos de Fidel contestam. Milhares de médicos cubanos  — quase 40 000 – estão na Venezuela para atender pobres e, também, ensinar medicina a jovens venezuelanos.

Caprilles, caso eleito, pode ter alguma dificuldade em manter a ajuda médica cubana tal como é hoje. Durante os poucos dias em que Chávez foi afastado numa tentativa de golpe frustrada, no início dos anos 2 000, Caprilles, então prefeito de uma cidade venezuelana, fez pressão sobre uma embaixada cubana para que fossem entregues chavistas que estivessem porventura refugiados ali.

Caprilles tem feito um discurso conciliador. Diz que será o presidente de todos os venezuelanos, incluídos os “vermelhos”, em referência à cor do chavismo. Mas esta tentativa de conciliação, pelo menos por enquanto, está longe, bem longe de Havana. Caprilles tem uma batalha morro acima: está bem atrás de Chávez nas intenções de voto.

Provavelmente perderá, mas é um bom candidato.

O PSDB, tão carente de rumo pós-FHC, e tão sem caras novas por conta do monopólio exercido por Serra no partido, e tão sem apelo perante os pobres no Brasil, talvez pudesse encontrar no caso Capriilles uma pista para se reinventar — e ser uma alternativa real e moderna ao PT.

 

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