Quem é Caprilles, o adversário de Chávez

Caprilles

A cobertura do Diário das eleições na Venezuela vai ser enriquecida com textos do jovem jornalista inglês Jody McIntyre, 21 anos. Jody, que vive atualmente em Caracas, na Venezuela, já escreveu artigos para jornais como o Guardian e o Independent, ambos ingleses.

 

As eleições presidenciais são um verdadeiro evento nacional na Venezuela. Há comícios para assistir, declarações públicas e comunicados para a imprensa dos candidatos, minijornais contendo planos para os próximos 6 anos de governo e cada um tem uma opinião.

Em cada esquina, duas faces são predominantes: Hugo Chávez e seu principal adversário,  Henrique Capriles Radonski. Chávez, corazon de mi patria. Coração do meu país. Capriles, feno un camino. Há um caminho. Aonde esse caminho vai nos levar, exatamente, não nos é dito.

Com apenas alguns dias para a votação, o candidato que lidera as pesquisas é Hugo Chavez, personagem maior que se tornou conhecido por suas declarações denunciando o imperialismo e a política externa dos EUA. Chávez ficou famoso por ter chamado George W Bush de “Sr Perigo” por suas políticas assassinas de invasão do Afeganistão e do Iraque.

E Capriles? A coalizão que ele representa não parece estar unida;  duas semanas atrás, quatro organizações retiraram seu apoio ao candidato da oposição depois do vazamento de documentos que revelaram detalhes da agenda de sua política econômica. Mas o que são as suas principais metas políticas, e como ele irá comunicá-las ao povo venezuelano? Será que ele tem potencial para uma virada?

De acordo com artigos nos principais meios de comunicação ocidentais, Capriles pertence ao “centro-esquerda progressista”. De fato, esta parece ser a forma como ele tenta se apresentar aos eleitores. Em vez de atacar as misiones (os programas sociais) introduzidas pelo governo de Chávez para tentar resolver os problemas da saúde e educação, Capriles reconheceu a imensa popularidade que elas têm dentre os milhões de venezuelanos que as administram e se beneficiam delas. Então Capriles decidiu que, se eleito, vai mantê-las.

Se ao menos ele estivesse dizendo a verdade. Em 23 de agosto um documento interno da coalizão vazou para a mídia venezuelana. Nele, se soube que um programa social pelo qual o governo oferece produtos da cesta básica nos supermercados por uma fração de seu preço usual está sob risco; os subsídios à alimentação seriam reduzidos em 60 por cento nos próximos 3 anos. Um outro projeto governamental — construir dois milhões de casas para as camadas mais pobres — seria extinto.

Fiquei extremamente impressionado com o rápido e eficiente serviço de metrô de Caracas, no qual uma pessoa com deficiência como eu pode viajar de graça – assim como meu irmão, como alguém para me ajudar. Sob Capriles, no entanto, as viagens subsidiadas serão encerradas. Mesmo antes do vazamento dos documentos, estava difícil para os eleitores acreditarem na intenção de Capriles de manter as misiones, que nunca teriam existido sem as ações do governo Chavez.

Capriles tem um histórico de conflito com Chávez. Em 2002, durante o golpe que derrubou Chávez do poder por dois dias, Capriles era prefeito de Baruta, cidade de pouco mais de 300 mil habitantes que pertence à Grande Caracas. Em 12 de abril, a polícia de Baruta prendeu o Ministro do Interior de Chávez, Ramon Rodriguez Chacin. No mesmo dia, Capriles fez parte de um grupo em Baruta que atacou a embaixada de Cuba, cortando o fornecimento de água e eletricidade, destruindo veículos estacionados do lado de fora e recusando-se a permitir a saída do embaixador.

Chávez tem sido muitas vezes criticado por seus laços com o governo cubano, o que resultou em “atrocidades” como milhares de médicos cubanos oferecendo atendimento médico gratuito para os setores mais pobres da sociedade venezuelana. É claro que atacar uma embaixada de qualquer país é ilegal sob a lei internacional, mas Capriles alegou que ajudou a evitar mais violência. Depois de uma longa investigação e mais de uma prisão, ele foi anistiado pelo governo em dezembro de 2007.

Capriles está determinado a mandar sua mensagem. Hugo Chavez pode ter o Plano Carabobo, sua proposta para os próximos seis anos de revolução bolivariana, mas Capriles tem seu Plano Venezuela, e ele não parece que vai desistir sem lutar. Na verdade, é sobre isso que muitos estão preocupados.

Como uma vitória eleitoral para a oposição é improvável – uma pesquisa de opinião pública realizada entre agosto e a primeira semana de setembro deu a Chávez uma média de 51 por cento de apoio e a Capriles apenas 35 por cento -,  existe entre os chavistas o receio de que a oposição pode decidir recusar-se a aceitar os resultados das urnas. Mas primeiro veremos, no dia 7, o que elas – as urnas – dizem.

TRADUÇÃO: ERIKA K. NAKAMURA

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