Que a Noruega inspire a Suécia no caso Assange

Os presos da cadeia da ilha de Bastoy, na Noruega, vivem em chalés como este

 

De Oslo

Enquanto isso na Noruega …

Anders Breivik, o assassino em massa, não pode conviver com outros prisioneiros, decidiu a justiça norueguesa. O temor é que ele pegue outros presos como reféns e faça exigências absurdas.

Que fazer?

Na admirável sociedade escandinava, a resposta é: contratar gente para passar tempo com Breivik, neste momento sendo julgado. Confinamento é uma forma desumana e destrutiva de tratar presos, segundo a lógica norueguesa.

Espanto no mundo, noto na internet. Mas não para quem conhece medianamente, como eu, a sociedade escandinava, de longe a mais desenvolvida socialmente em todo o mundo. Nestes dias mesmo, um levantamento internacional quis descobrir os melhores lugares para ser mãe. A Noruega venceu. Sete meses de licença para a mãe, cinco para o pai – e sem que isso comprometa a carreira de ninguém.

Agora vejamos os Estados Unidos.

Bradley Manning, que fez o mundo melhor ao mostrar os horrores da Guerra do Iraque, só saiu da solitária – isso sem ser julgado – depois de uma épica pressão de ativistas.

Também nos Estados Unidos, soube-se não faz muito tempo, as canções infantis de Vila Sésamos eram usadas como instrumento de tortura na prisão de Guantanamo. Volume ensurdecedor, música seguida de música numa sessão cruelmente interminável. O autor delas ficou estarrecido. Imagine as vítimas delas.

Não é à toa que o pesadelo de Julian Assange, do Wikileaks, é terminar nos Estados Unidos. A Inglaterra, esta semana, tornou este pesadelo mais provável, ou menos inviável, ao dar à Suécia sim ao pedido de extradição de Assange. Na Suécia, ele responderá por acusações de ataque sexual feitas por duas mulheres.

Os americanos, com certeza, pressionarão os suecos para que lhes dêem Assange. Fica a torcida para que a Suécia se comporte como um legítimo país escandinavo. Como a Noruega, especificamente. Algum tempo atrás, a Noruega recusou um pedido de extradição feito pelos Estados Unidos. Motivo: o desrespeito aos direitos humanos em quase todas as prisões americanas.

Aplausos. Clap, clap, clap.

De pé.

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