Quatro Bonds falam de Bond: o segundo é Roger Moore

O homem que por mais tempo interpretou 007 — com mais humor e menos violência

Sir Roger Moore foi inegavelmente o mais elegante e charmoso de todos os Bonds. Sua interpretação foi bem próxima do conceito de Ian Fleming como um cavalheiro formado em Eton College, um homem de criação impecável que parecia ter nascido em um smoking. Moore, por sua vez, havia nascido em uma família humilde (seu pai era um policial), mas tivera tempo o suficiente para desenvolver sua elegância e suavidade interpretando por oito anos Simon Templar na série O Santo, nos anos 60. Então, no momento em que os produtores de Bond começaram sua procura, encontraram um 007 perfeito que se encaixou no papel com a maior facilidade.

“Eu desenvolvi esse jeito aristocrático após anos de insegurança”, observa Moore. “Era uma deliciosa máscara que eu colocava para dar essa impressão de que era esse cara polido e sofisticado, quando eu não era nada disso. E, quando interpretei um aristocrata inglês no seriado The Persuaders (1972), estava quase treinando para interpretar Bond”.

Como o ator que interpretou 007 por mais tempo, Roger Moore colocou sua marca no personagem. Enquanto Connery tendia a ser mais cruel e áspero, Moore era extremamente gentil, o que se encaixava perfeitamente nos duplos sentidos haviam se tornado parte da tradição de James Bond. Seu estilo relaxado foi um modo de dar uma piscadela para a audiência, mas sem dissipar a força de sua atuação.

FOLHA CORRIDA (1973-85)

VIVA E DEIXE MORRER [1973]

O HOMEM COM A PISTOLA DE OURO [1974]

O ESPIÃO QUE ME AMAVA [1977]

O FOGUETE DA MORTE [1979]

SOMENTE PARA SEUS OLHOS [1981]

OCTUPUSSY [1983]

007 NA MIRA DOS ASSASSINOS [1985]

"Eu não queria carregar armas porque pensava que o mundo já era violento o suficiente"

 

Você tentou desenvolver um personagem diferente daquele interpretado por Sean Connery?

Moore – Eu não queria, é claro, imitar seu trabalho porque não teria me feito bem e porque não iria se encaixar em minha própria natureza. Então, tentei aparecer com esse Bond bem elegante, bem mais agradável para mim. Eu também não queria ser tão violento quanto Sean e, tanto quanto possível, não queria carregar armas porque pensava que o mundo já era violento o suficiente e que não precisávamos ceder a essa violência. E também, com todos os novos gadgets, não era tão necessário o uso de armas.

Você e Sean Connery já se sentaram e compararam seus trabalhos?

Moore – Sim, várias vezes. Sean estava bem feliz por ter passado para frente a “tocha Bond”, especialmente naquela época. Ele achou bem difícil, no começo, conseguir que os produtores o escolhessem para outros papéis, porque ele foi tão bom naquilo que a indústria não percebeu que era um ator fora do comum. É claro que, no final das contas, tudo se acertou e ele teve uma carreira muito boa.

Sua intenção foi dar um toque de leveza para Bond…

Moore – Sempre houve um elemento fantástico no personagem nos romances de Ian Fleming e o produtor Cubby Broccoli e eu queríamos enfatizar um elemento divertido nos filmes. Nós gostaríamos que a audiência risse e balançasse a cabeça para alguns dos gadgets e das façanhas, pois eles eram obviamente exagerados. Essa foi minha atitude diante dos filmes. Eu disse várias vezes: que tipo de espião é Bond quando todo mundo o reconhece e sabe que ele toma vodka martini batida, não mexida? Se você quer um agente secreto mais autêntico, deve ler John Le Carré. Mas Bond sempre foi uma maravilhosa combinação de realismo com uma uma alta dose de fantasia. Sempre tratamos a lenda de Bond como um tipo de mistificação do mundo da espionagem.

Os ternos não eram culpa dele

E foi divertido interpretá-lo?

Moore – Tremendamente divertido! Foi um bom momento de minha vida. Nós viajamos pelo mundo inteiro e eu conheci vários atores interessantes. Eu adorava trabalhar com Desmond Llewelyn, esse camarada adorável que interpretou Q. Um dia, Desmond faria um daqueles diálogos bem complicados sobre para que os gadgets serviam e isso era bem difícil. Eu tentei confundi-lo e obrigá-lo a falar qualquer coisa ridícula para que tivesse que fazer essa tomada milhares de vezes. É claro que todo mundo ria bastante, mas acho que, naquele momento em particular, Desmond não estava muito satisfeito comigo.

Você temia ser visto exclusivamente como James Bond?

Moore – Não. Na verdade, eu nunca fui ambicioso o suficiente em minha carreira artística para me importar se Bond iria ou não me fazer perder outros trabalhos no futuro. Eu ganhei tanto dinheiro e tanta popularidade… Não me via trabalhando mais como ator depois dos 60 anos, de qualquer forma, e depois tive a chance de trabalhar para a UNICEF e percebi que era, para mim, algo bem mais importante e que me daria uma tremenda satisfação. E eu não teria sido capaz de realizar tal trabalho se não fosse pela fama que apareceu com Bond.

Por que 007 se tornou um ícone?

Moore – É uma fantasia brilhante. Um espião atraente que conhece mulheres lindas e enfrenta a morte, mas vive para ver o dia seguinte.

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