Por que Fernando Holiday está invadindo escolas públicas. Por Mauro Donato

O vereador Fernando Holiday tem feito visitas a escolas públicas de forma pouco usual. Elas são inesperadas e têm um caráter policialesco.

“Hoje fiz duas visitas surpresas a escolas da rede pública municipal de ensino para conhecer melhor a realidade desses docentes, mas principalmente dos alunos e as condições de ensino que eles são submetidos todos os dias. Precisamos melhorar nossa educação de dentro pra fora e assim coibir qualquer tentativa de doutrinação que nossas crianças e adolescentes possam vir a sofrer. O trabalho só começou e em breve mais visitas são feitas e divulgadas”, postou ele nas redes sociais.

Para que não haja dúvidas da intenção de Holiday, basta redobrar a atenção no trecho ‘coibir qualquer tentativa de doutrinação que nossas crianças e adolescentes possam vir a sofrer’ e atentar para o encerramento da postagem em que o vereador solicita que pais o ajudem:

“Denunciem pelo email: escolasempartidoFH@gmail.com” Exatamente, o vereador está visitando escolas representando o movimento fascistóide Escola Sem Partido. A aberração criada pelo deputado Izalci Lucas (PSDB) que defende a ‘neutralidade política, ideológica e religiosa do Estado, como reconhecimento da vulnerabilidade do educando como parte mais fraca na relação de aprendizado’ quando na realidade tem o objetivo de implodir o pensamento crítico e a experiência da pluralidade. Um nefasto plano de criar analfabetos políticos.

Professores estão inconformados. “Estranho. Totalmente sem agendamento com a direção da escola, nem com a supervisão de ensino. Ocorreu por volta das 13:00. O vereador foi atendido pelo diretor e pelo assistente de direção da EMEF e exigiu ver os planos de aulas dos professores para saber o que anda sendo ensinado, bem como rondou as dependências da escola com seus assessores, fotografando os trabalhos realizados pelos alunos. Todos os professores e a gestão da escola acharam extremamente estranho. Suspeitamos de patrulhamento ideológico visto que nossa unidade tem projetos voltados à discussão de gênero e direitos humanos, além de ser uma escola abertamente de luta contra as pautas político-trabalhistas dos governos federal, estadual e municipal”, disse um professor da EMEF Constelação do Índio, umas das escolas visitadas ontem por Fernando Holiday. Ele não quer ser identificado.

“O que Fernando Holiday está fazendo nas escolas não é papel de vereador. Isso se chama assédio e coação aos profissionais de educação. Vamos tomar as medidas jurídicas e políticas necessárias”, disse a também vereadora Sâmia Bonfim (PSOL).

Fernando Holiday construiu-se nas manifestações pró-impeachment com um discurso visceralmente conservador. É contra cotas raciais, desfilou ao lado de golpistas vociferando contra a corrupção e hoje é acusado de ter sua campanha financiada com recursos de caixa 2. Agora, coloca em prática a vigilância combinada com seus apoiadores e sai em blitz pela cidade com a finalidade de ‘analisar se há doutrinação no conteúdo que está sendo dado na sala de aula’.

O que Holiday pretende com essa postura intimidatória? Colocar medo em professor? O vereador novato não pode interpretar à sua maneira o que está sendo lecionado. Não é autoridade para isso. E se quer saber um pouco mais sobre educação, deveria começar aprendendo que não se entra assim na casa dos outros, sem aviso.

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