Por que Doria não faz vídeos sobre as baixas de sua desastrosa gestão, como fez com Soninha? Por Mauro Donato

João Doria na cracolândia

Para demitir Soninha Francine, Doria fez questão de divulgar um vídeo posando de chefão rígido, desses que constrangem o funcionário. Tudo em nome de sua imagem de gestor eficiente que cobra resultados.

Por que o prefeito João Doria não faz também vídeos sobre as baixas de sua desastrosa gestão, como fez com Soninha?

O vídeo mais recente e contundente a respeito do que realmente é sua gestão revela a secretária de Direitos Humanos, Patrícia Bezerra, soltando o verbo. Ela classificou de ‘desastrosa’ a ação capitaneada por Doria na região da cracolândia. Em seguida, a secretária entregou o cargo.

E o desmonte não parou por aí. Ontem, durante uma reunião da Comissão Permanente de Direitos Humanos da Câmara Municipal, na qual discutia-se a violência desmedida cometida por Doria, a coordenadora de Politica de Drogas da Secretaria de Direitos Humanos, Maria Angélica de Castro Comis, também pediu exoneração.

“O programa Braços Abertos garantia direitos. Na mudança da gestão, conversei com a Patrícia Bezerra e havia decidido ficar. Mas eles dizem uma coisa e depois não cumprem. Permaneci até hoje, mas não tenho como atuar, não tenho voz. Sou técnica e mesmo assim não fui chamada para várias reuniões. Fui boicotada. Não vou compactuar com isso e por isso me exonerei”, afirmou Maria Angélica.

A gestão Doria está ruindo a olhos nus. O descontentamento de sua equipe e seus métodos autoritários e ditatoriais estão vindo à tona em ritmo e volumes espantosos.

O secretário da Saúde, Wilson Pollara, um dos principais responsáveis pelo programa de tratamento de dependentes químicos, afirmou não ter sido avisado previamente da operação de domingo. Por aí já é possível acatar como verdadeira a declaração de Maria Angélica de Castro Comis. Se nem o secretário é comunicado, como Doria não estará tratando coordenadores?

A verdade é que o prefeito mentiu no atacado e no varejo. Ele havia garantido para todas as entidades assistenciais que trabalham na cracolândia e também para o Ministério Público (!) que não haveria um ‘Dia D’. Houve.

Com a síndrome de todo ditador, João Doria atropela tudo. Manda demolir edificações com pessoas dentro, inflou a lista de médicos que prestaria atendimento aos dependentes na tentativa de demonstrar estrutura suficiente (muitos médicos não tinham aquela especialidade, disseram nem saber que estavam na lista e solicitaram a retirada de seus nomes), deseja internar os usuários à força e por critérios que só deus sabe, retirou o veto à remoção de cobertores de moradores de rua.

Falastrão e despreparado com relação ao tamanho do problema, ele havia decretado o fim da cracolândia já no mesmo dia da ação. O resultado foi que hoje há 23 pontos de tráfico e uso de crack a céu aberto pelo centro da cidade.

Em repúdio ao estado policialesco e repressor instalado pelo prefeito, a Secretaria de Direitos Humanos está ocupada por representantes de movimentos sociais desde a criminosa ação na cracolândia.

O prefeito não admite críticas e não aceita ninguém que não seja bajulador a seu lado. Uma das primeiras vítimas de João Doria foi a coordenadora cultural Ana Paula Galvão. Com uma semana na cadeira de prefeito ele a demitiu. Ana Paula havia feito posts em redes sociais ecoando as acusações de que Doria havia cometido abuso econômico durante sua campanha.

Há poucas semanas o secretário de Educação, Alexandre Schneider, pediu demissão por não sentir respaldo do prefeito perante os ataques que estava sofrendo do movimento fascistóide MBL (Movimento Brasil Livre). Schneider tinha criticado o patrulhamento de Fernando Holiday em busca de ‘comunistas’ nas escolas públicas.

Doria conseguiu demovê-lo da ideia mas hoje certamente Alexandre Schneider conhece melhor quem é seu chefe.

João Doria é o ‘gestor’ que coloca seus funcionários para trabalharem 24 horas por dia, 7 dias por semana. É isso o que o empresariado apoiador das reformas golpistas (sobretudo a trabalhista) chama de moderno.

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