Por favor, Rogério Ceni: não se aposente


 

Eu sempre abominei cartas abertas. Acho um recurso piegas e bocó. Sem contar que o destinatário, na verdade, nunca lê a missiva.

Mas abro uma exceção honrosa a Rogério Ceni por razões que a própria razão desconhece:

Caro Goleiro (maiúscula).

Por favor, não se aposente.

O futebol jamais será o mesmo sem suas defesas incomparáveis, sua elasticidade, sua categoria, sua visão.

Seu espírito de liderança levou esse time do São Paulo — teria sido qualquer um, na verdade, sob seu comando — a tantas glórias que não cabem nos dedos de várias mãos.

Seu personalidade transcende o esporte. Seu carisma invade as câmeras de televisão e chega às casas dos torcedores como um perfume de outono.

Sua habilidade e sua segurança são motivo de inveja de todas as equipes universo.

Que outro guarda-metas bate faltas assim?

Que outro CAPITÃO (maiúsculas totais) bate pênaltis como você?

Nenhum.

São 18 anos de carreira no mesmo clube. Aos 42 anos, você está inteiro, apenas com um pouco menos de cabelo numa área que nunca foi seu forte.

O futebol precisa de ídolos como um país precisa de herois.

As eventuais falhas cometidas nunca serão capazes de diminuir sua grandeza. Deus é testemunha do quanto você dedicou de energia e lealdade ao Tricolor. Deus sabe o que o Tricolor lhe deu em retorno.

Rogério: fique. Essa história de parar no auge é para os fracos. Quem não gostaria de ter visto Pelé em 1990, ao lado de Mozer, Aldair, Valdo e Bismarck?

Cada gol que você leva — como o de Robinho, do Palmeiras, por cobertura –, é garantia de uma emoção que apenas gigantes como você podem proporcionar.

Nunca se aposente, Rogério. Nunca. Jamais. E muito obrigado por tudo.

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