“Para tudo ficar como está, é preciso que tudo mude”: o significado da insistência patética de FHC com Huck. Por Kiko Nogueira

Eles

Fernando Henrique Cardoso, em looping, resolveu rifar Geraldo Alckmin publicamente cortejando Luciano Huck para salvar o que restou de seu partido.

“Ele sempre foi muito próximo ao PSDB, o estilo dele é peessedebista. É um bom cara”, afirmou o ex-presidente.

“Se ele for [candidato], é bom. Areja, põe em xeque os partidos, que precisam ser postos em xeque”.

Huck apareceu fazendo campanha no Faustão, foi instado a se explicar no TSE, afirmou que não concorreria e agora promete se pronunciar oficialmente depois do Carnaval.

Fernando Henrique termina seus dias com seus homens abatidos, tentando atrair um apresentador de TV enrolado com sócios de Aécio Neves para suas hostes, num final de carreira patético.

Sem saída, procura arrumar um herdeiro que chama de “novo”, um “xeque” na política, mas que é velho como ele, apenas com mais dinheiro, mais estamina e uma casa em Angra dos Reis.

A dupla FHC e Huck é uma versão meia bomba, picareta e sem charme de Don Fabrizio Corbera, o Príncipe de Salina, e seu sobrinho Tancredi, protagonistas do romance “O Leopardo”, de Giuseppe Tomasi di Lampedusa.

Lampedusa retratou a decadência da aristocracia siciliana no Risorgimento, o movimento de unificação da Itália.

O oportunista Tancredi, príncipe de Falconeri, se junta ao exército republicano de Garibaldi. Ele explica sua lógica numa formulação imortal: “Se queremos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude”.

Luciano Huck é a encarnação dessa filosofia e seu tio espiritual sabe disso perfeitamente.

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