Os pernilongos que zumbem em defesa de Olavo de Carvalho

Nosso 'filósofo'
Nosso ‘filósofo’

Uma das passagens de filosofia de que mais gosto é de Marco Aurélio, em suas Meditações.

É um pequeno grande livro de cunho extremamente prático, produzido pelo imperador-filósofo em acampamentos militares no calor das guerras que os bárbaros impunham aos romanos no início da Era Cristã.

Marco Aurélio, no trecho de que falo, dava o seguinte conselho: “Jamais esqueça, ao acordar, que você vai encontrar ao longo do dia pessoas insolentes, ignorantes, maldosas.” A lista de defeitos ia adiante, e Marco Aurélio os atribuía à falta de sabedoria própria de mentes nada filosóficas.

Pensei na advertência de Marco Aurélio ao deparar, hoje pela manhã, com uma quantidade imensa de fanáticos seguidores do ‘filósofo’ Olavo de Carvalho. Inoportunos, grosseiros, indesejados, eles abarrotavam a caixa de comentários do DCM como pernilongos.

Estavam incomodados com um texto em que disse que infeliz é o país cujos ‘filósofos’ mais conhecidos são OC e Pondé.

Por trás deles e de sua solidariedade brutal e tosca estava Olavo de Carvalho. Numa atitude nada filosófica, ele mostrou se importar terrivelmente com minha opinião sobre ele.

Grandes filósofos sempre pregaram que você deve se importar com a opinião que você tem sobre si mesmo, e ser imperturbável diante da opinião alheia.

Mas Olavo de Carvalho mostrou uma preocupação extraordinária com minha opinião sobre ele. Chegou a me desafiar para um bizarro duelo filosófico ao entardecer, como se estivéssemos no Velho Oeste. “Vamos ver se você é homem para isso”, disse ele.

Ser homem, para os filósofos, é enfrentar adversidades com serenidade e coragem. Montaigne dizia, com acerto, que nada prova mais a estatura de um homem que sua atitude perante a morte. E citava seu grande inspirador, Sêneca, que morreu consolando a mulher e os discípulos. Nero, de quem fora preceptor antes que ele enlouquecesse, mandou que Sêneca se matasse.

Mas para Olavo de Carvalho ser homem é duelar. Isso mostra seu tamanho como ‘filósofo’.

Tenho uma atitude dúbia em relação aos pernilongos que acompanham Olavo de Carvalho. Seu zumbido me irrita, mas ao mesmo tempo lamento por eles e reconheço sua lealdade incondicional.

Nenhum leitor do ‘jornalista’ Reinaldo Azevedo, de quem tenho uma opinião parecida com a que guardo por Olavo Carvalho, compareceu ao DCM para defendê-lo quando trocamos estocadas. Nenhum. Os leitores de RA têm a chamada lealdade preguiçosa, ao contrário dos fundamentalistas que seguem Olavo de Carvalho.

Estes, se tivessem lido os filósofos de verdade – Montaigne, Sêneca, Marco Aurélio etc – seriam educados, cultos, polidos, elegantes.

Não me interessa gastar tempo com Olavo de Carvalho: a vida é breve, instável, e prefiro ocupar minha mente com coisas mais interessantes.

Não saberei, porque não vou lê-lo, se ele vai melhorar na velhice. As pessoas dizem que é impossível você mudar na senectude. Mas fico com uma frase de Epicuro que cito constantemente aos que me rodeiam. “Nunca é cedo demais nem tarde demais” para aprender alguma coisa.

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