Os dados de Doria não mentem e os eleitores dele são mesmo fascistoides. E ele? Por Donato

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Para ‘entender’ o que pensam e quem são as pessoas defensoras da moral e dos bons costumes que estiveram condenando a exposição no MAM, o prefeito João Doria encomendou uma pesquisa a seu fiel escudeiro nas comunicações, Daniel Braga.

Braga é dono da SocialQI e cuida das redes sociais de Doria (Facebook, Twitter e Instagram), mas segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, Doria é cliente de Braga como pessoa física apenas.

Chegou-se ao resultado de que 157 mil pessoas haviam comentado sobre o assunto até o último dia 4. Desse universo, a grande maioria recriminava a mostra no museu e era composta de homens brancos, casados, com ensino superior e na faixa etária entre 35 e 44 anos. Gente que se considera de classe média, ‘de direita’ (82%) e evangélico (40%). E mais da metade deles era de São Paulo.

No embalo, Doria então fez um vídeo metendo o pau (opa!) na exposição. Teve esmagadora aprovação a seus comentários reaças.

Se João Doria tem realmente esse posicionamento é difícil saber. O prefeito faz uso de softwares de Big Data e se pronuncia de acordo com o que lhe revelam as estatísticas.

A SocialQI de Daniel Braga monitora cerca de 5 desses softwares. A partir daí uma outra ferramenta faz um cruzamento dos dados que resultam num ‘processamento de linguagem natural’.

“Nossa função é alinhar o discurso do João para ele ser bem entendido. Ele não vai mudar o que pensa, as propostas, mas vai falar da melhor forma”, declarou Daniel Braga recentemente em uma entrevista à BBC.

Donald Trump fez e faz muito isso, o que explica sua linguagem agressiva e repleta de preconceitos e até mentiras ser bem sucedida. Doria tem seguido o exemplo.

Esses softwares produzem ainda uma psicometria dos internautas. É uma espécie de análise da personalidade dos pesquisados. Com essas diabólicas ferramentas é possível moldar o discurso para que se vá de encontro ao que o alvo deseja ouvir.

Parêntese rápido: há algum tempo, fiquei intrigado com o sucesso de uma participante numa das edições do Big Brother. Ela causava, era desbocada, briguenta e, para meu espanto, era sempre a mais votada pelo público. Isso explica como alguém como Trump chegou lá dizendo o que diz a cada vez que abre a boca.

João Doria não é bobo e conhece o mundo da comunicação bastante bem. Sabe lidar com as tecnologias de forma muito superior à média dos políticos que ainda mal dominam o idioma (falo do português mesmo, não de tecnologia).

De posse desses dados, o mais que assumido candidato à vaga de Michel Temer irá acentuar seu discurso em sintonia com as pautas conservadoras que já estão caminhando a passos largos e que são do agrado daquele perfil revelado na pesquisa citada no início deste artigo.

Censura a exposições de arte, projetos como o Escola Sem Partido, retirada das referências de ‘identidade de gênero’ da base nacional curricular na Educação, e por aí vai. São todas pautas defendidas pelos fascistóides do MBL, um grupo a cada dia mais poderoso e útil para Doria (seus membros estão ganhando cargo na gestão atual).

Sob Doria, a prefeitura cortou um terço da verba das escolas municipais que vinha do Programa de Transferência de Recursos Financeiros. Não era grande coisa, dava cerca de R$ 30 mil por escola. Mas o que era ruim ficou pior.

E isso, acredite, é aplaudido por parte daquele eleitorado que tem na ponta da língua o discurso do ‘não pode dar o peixe, tem que ensinar a pescar’. Basta o prefeito anunciar isso para as pessoas certas, identificadas pela sabedoria binária.

Existe a possibilidade de a disputa presidencial repetir o embate ocorrido pela prefeitura paulista há um ano: João Doria X Fernando Haddad. Portanto não se espante caso Doria mantenha o tom agressivo com jornalistas. Ele sempre reage a qualquer pergunta incômoda chamando o repórter de petista, faz acusações falsas e levianas sobre o profissional.

Infelizmente ele acha que sabe o que está fazendo. E seu eleitor acha isso lindo.

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