Os 9 maiores cineastas: Jean-Luc Godard, o gênio na Nouvelle Vague

Jean-Luc Godard em ação
Jean-Luc Godard em ação

 

Um “filme do Godard”, para Eduardo, personagem mauricinho de Renato Russo na música “Eduardo e Mônica”, poderia parecer estranho. Mas não para Mônica, uma menina politicamente engajada, artisticamente refinada – e até um pouco pretensiosa. Os estereótipos da música podem ajudar a entender o artista: a obra de Jean-Luc Goddard é politicamente engajada, artisticamente refinada, e pretensiosa. Mas essa pretensão não é no mau sentido; tem toda lógica com a obra, questionadora diante dos padrões cinematográficos do momento.

Cahiers_Du_CinemaEsses podem não parecer atributos muito animadores para quem quer se divertir, apenas, com um bom filme. É o caso do Eduardo e de todos nós em um momento ou outro. Mas foram questionamentos fundamentais para a época, que moldaram o cinema como é hoje, e influenciaram diretamente uma quantidade gigantesca de diretores contemporâneos – e indiretamente, virtualmente todos.

Godard nasceu em Paris em 1930. Depois de viver a adolescência na Suíca, terra natal de sua mãe, estudou etnologia na França, em Sorbonne. Nessa época, conheceu François Truffaut, Jacques Rivette e Eric Rohmer.

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Em 1950, Godard fundou a Gazette Du Cinéma, junto com Rivette e Rohmer. Esse foi o começo da ligação do artista com a arte. Ali, publicava críticas de filmes sob o pseudônimo de “Hans Lucas”. E foi então que sua visão crítica dos cinemas americano e francês se construiu.

A família Godard era rica – seu pai era médico e sua mãe, herdeira de banqueiros. Nessa época, o então aspirante a artista acabou financiando um filme para seus sócios, o que levou seu pai a cortar seu dinheiro. A partir de então, ele passou a levar uma vida boêmia, e chegou até a roubar comida e dinheiro.

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Em 1953, arrumou um emprego como pedreiro na suíça. Com o dinheiro que juntou no trabalho, financiou seu primeiro curta metragem, “Opération Béton” (Operação Concreto), lançado apenas em 1958. Mas ainda em 53, sua mãe morreria num acidente de moto.

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De volta a Paris, Godard voltou a escrever sobre cinema para se sustentar. Publicou artigos no jornais Les Cahiers Du Cinéma, Arts, Artistes Associés, e em 1957 fez seu primeiro curta na terra natal, “Charlotte et Véronique”. Nesse momento, se tornara Marxista.

Os curtas produzidos neste período definiram o estilo da Nouvelle Vague: breves cortes abruptos sem trocar o ângulo, personagens se dirigindo ao público, a visão do personagem sendo mostrada. Isso sem contar o arrojo temático do autor. Aí então, alguns longas-metragens experimentais o levaram àquele que seria o seu melhor momento como cineasta: de “Acossado”, seu primeiro longa-metragem escrito em parceria com Truffaut, lançado em 1960, até “Week-End À Francesa”, de 1967.

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Sua atriz preferida neste período, Ana Karina, acabou se tornando sua esposa. Mas o divórcio, em 1967, pode tê-lo levado a uma crise criativa: em 1968, produziu um filme para uma TV francesa que não chegou a ser lançado; em 1970, produziu um filme para a BBC de Londres que também não foi lançado. A historia se repetiu no mesmo ano no Líbano e em 1971 na Itália. (Há uma versão que diz que os filmes não foram negados por falta de qualidade, mas por radicalismo na visão política).

Em 1975, Godard conseguiu lançar seu primeiro filme após esse período. Entre os anos 80 e 90, também produziu alguns títulos, mas jamais no mesmo nível – o que não o diminui. “Faço filmes para passar o tempo”, disse em certa ocasião. Bem, um gênio como ele pode passar o tempo do jeito que quiser – seu legado já está guardado.

 

 

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