Os 7 maiores cineastas: Federico Fellini, o sonhador

 

O "maestro" sonhador
O “maestro” sonhador

 

A lógica nem sempre se aplica ao mundo de Federico Fellini. É, afinal, um mundo onde sonho e devaneio têm a mesma importância da realidade – ou, por vezes, mais. Ali, as leis da física nem sempre são absolutas.

A razão disso parece estar entre uma opção artística e a fuga de uma tragédia (Fellini, aos 25 anos, perdeu um filho com um mês de vida). A psicologia que ele mesmo estudara para criar suas obras pode explicar: quando a realidade é dura de mais para ser suportada, o que resta é sonhar. E, neste caso, o sonho fez o gênio.

gênio em ação
gênio em ação

Fellini nasceu em 1920 em uma família de classe média da cidade de Rimini. Seu pai era caixeiro viajante e sua mãe, dona de casa. Tinha dois irmãos, ele o mais velho.

Assistiu aos 6 anos seu primeiro filme, “Maciste All’Inferno”, de Guido Brignone, que acabaria por influenciá-lo pelo o resto da vida. Já nesta época desenhava, lia gibis e encenava peças com fantoches.

Decidido em se tornar cartunista, aos 18 viajou a Florença, onde publicou seu primeiro trabalho. Um ano depois, acabaria por se matricular no curso de direito da Universidade de Roma, por pressão familiar. Mas nunca foi a uma aula.

Passou então a publicar trabalhos nos jornais Il Popolo di Roma e Il Piccolo, tal como na revista Marc’Aurelio, a mais influente bi-semanal da época. Lá, ele deixou de ser freelancer e passou a integrar a equipe fixa, fazendo inclusive trabalhos como jornalista. Ficou lá até 1942.Cartaz do filme Cidade das Mulheres

Durante esse período, passou a colaborar com cineastas. “Il Pirata Sono Io”, de Mario Mattoli, foi o primeiro filme de que participou como roteirista. Este, na verdade, foi um período movimentado de sua vida. Ele chegou a viver escondido com a namorada na casa de sua tia até a queda de Mussolini, em 1943. Em 1945, teve um filho que acabou morrendo de encefalite com um mês de vida.

Com a morte de seu filho, se jogou de vez no trabalho: para se subsidiar, abriu uma loja onde fazia caricaturas de soldados americanos que ainda estavam por aquelas bandas durante o pós-guerra, e se envolveu profissionalmente com Roberto Rosselini, com quem escreveu três filmes e ganhou um Oscar. Com ele, chegou a ser assistente de direção e a conhecer vários dos atores que seriam seus preferidos por um bom tempo.

No começo dos anos 50, lançou seu primeiro filme, “O Sheik Branco”. Foi apresentado no festival de Veneza e detonado pelos críticos. Seu segundo filme, “I Viteloni”, de 1953, ganhou o Leão de Prata da edição seguinte do mesmo festival – o que lhe rendeu seu primeiro contrato de distribuição internacional.

B00005QAPH.01.LZZZZZZZEm 1956, ganhou com “Nights of Cabiria” seu segundo Oscar, o primeiro com um filme próprio. Mas sua obra-prima (ou ao menos a primeira delas) seria lançado em 1961 sob o título de “La Dolce Vita”. Este lhe rendeu, além do Oscar, uma Palma de Ouro e um Bafta, e mais outros prêmios de menor expressão.

Foi o começo da interferência da fantasia em sua obra – marcada, não por coincidência, pela descoberta de Carl Jung, um dos grandes estudiosos da psicologia, por parte de Fellini. Seus grandes clássicos posteriores, como “8½”, “Satyricon”, “Amarcord”, entre outros, utilizam ideias Junguianas na construção dos personagens. E, em momentos, o diretor flertou também com a parapsicologia, o espiritismo e até mesmo com o LSD em sua busca artística.

Em 1982, os desenhos de Fellini voltaram ao centro das atenções: ganharam uma grande exibição em Paris e, posteriormente, Bruxelas e Nova Iorque.

Em 1989, filmou “The Voice of The Moon”, com Roberto Benigni, seu último trabalho como diretor de fato. Em 1991, contou sua história para o cineasta canadense Damian Pettigrew, o que resultou no documentário lançado mais de 10 anos depois, chamado “Fellini: I’m a Born Liar”.

Em junho de 1993, aos 73 anos, sofreu um derrame que o deixou parcialmente paralisado. Poucos meses depois, sofreu um segundo e derradeiro derrame. Por algum tempo, ficou em coma. Morreu em outubro do mesmo ano.

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