Obama está rindo do quê?

Cadê as mudanças?

Com hambúrgueres, comemorou meio século uma das maiores decepções da política em todos os tempos. Como escrevia Nelson Rodrigues ao anunciar seu “Personagem da Semana”, vou logo dando as iniciais: Barack Obama.

O Obama real  que chega aos 50 anos é o oposto do Obama prometido na campanha eleitoral.

Ou por inépcia, ou por amarras acima de suas forças, o fato é que Obama não mudou nada. Internamente, os Estados Unidos sob ele enfrentam uma crise econômica provavelmente mais danosa que a de 1929 porque ali havia os alicerces de uma potência emergente e agora existem as ruínas de um império que se desfaz. Obama não inventou a crise, mas foi impotente para atenuá-la.

Externamente, os Estados Unidos continuaram a ser com o Obama o que tinham sido sob Bush: o país das bombas, universalmente antipatizado ou pior ainda, como acontececom frequência, abertamente detestado.

Os Estados Unidos são uma espécie de desastre anunciado. Como pode dar certo um país cuja cultura de simplicidade criada por patriarcas como Washington se deteriora numa orgia de consumo e ganância? Nada representa tão bem os Estados Unidos como um saco enorme de pipocas e uma taça gigante de Coca-Cola nas mãos de obesos que consomem antidepressivos ou porque são losers ou porque, embora não sendo tecnicamente, têm medo de sê-lo no futuro.

Obama não mudou um cenário de desagregação.  Matou bin Laden, mas passada a festa americana logo se viu que todos os problemas continuavam do mesmo tamanho. Sequer o mundo estava “mais seguro”, como disse Obama. E isso se viu na chacina promovida por um naonazista na pacata Noruega.

A mudança mais visível da era Obama está nele mesmo – nos cabelos grisalhos e num prestígio que parece jazer no fundo do rio Mississipi.

A melhor legenda para a festa dos 50 anos é uma clássica: comemorando o quê?

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