O sonho insano que liquidou Eike. Por Paulo Nogueira

Obsessão por dinheiro
Obsessão por dinheiro

A mim jamais surpreendeu o declínio espetacular de Eike.

Não tanto por tolices como só tomar decisões segundo recomendações dos astros e de astrólogos, embora isso, por si só, fosse motivo suficiente.

Não também pela frivolidade doentia manifesta num topete fajuto implantado para lhe dar ares de popstar adolescente na meia idade.

O que realmente me pegou em Eike foi uma declaração nos dias fugazes em que ele aparecia nas listas de bilionários.

Qual era seu sonho? Alguém lhe perguntou. “Ser o homem mais rico do mundo”, ele respondeu.

Acabou.

Para mim, Eike acabou ali. Raras vezes tinha visto tamanha demonstração de pobreza de espírito, de estupidez, de ambição torta, de miséria mental.

Tantos sonhos possíveis num mundo tão caótico, e ele vinha falar de moedas, e mais moedas, e mais moedas?

Ele poderia dizer que sonhava ver um mundo sem guerras. Sem crianças passando fome. Sem tanta desigualdade. Sem câncer, sem febre amarela, sem Alzheimer.

Mas não.

O que Eike queria era ser o homem mais rico do mundo.

Quis tudo aquilo com que a ganância desenfreada pode aprisionar a mente de um homem vazio, e terminou na prisão.

Talvez ele saia dela com uma alma menos mesquinha.

Talvez não.

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