O ‘ridiculous’ futebol jogado no Brasileirão

Gol sem querer
Gol sem querer

Ladies & Gentlemen:

Boss me deve um aumento. Vocês concordarão, for certain. Este Campeonato Brasileiro, que cubro para o DCM em horários cruéis (no meio da semana, às 2 da manhã de Londres), é, numa palavra, sofrível.

Onde foi parar o futebol brasileiro? Tenho que ver o Barcelona para desfrutar o futebol brasileiro, tal como nós, europeus, o idealizamos. Artistas em campo, e não apenas jogadores fisicamente supertreinados. E criatividade muito acima da destruição.

Os jogos no Brasileirão são truncados, feios, repletos de faltas e passes errados. Quase não há gols, e se não bastasse tudo as arquibancadas estão invariavelmente vazias.

Boss me autorizou a assinar a Globo em Londres, mas depois de ver uma garrafa gigante de Listerine subir no meio de campo num intervalo pedi autorização para comprar um outro pacote para ver as partidas.

Ontem, escolhi São Paulo e Galo. Foi um dos piores jogos que vi na vida. Houve um único lance de gol – ridiculamente perdido por um lateral do Galo. O tento do Tricolor foi um acidente: a bola bateu num zagueiro, no goleiro e acabou dando na cabeça de um atacante.

Ronaldinho Gaúcho mostrou dentes novos, e mais quase nada. Ficou para mim a sensação de que ele já desistiu da Copa de 2014, o que é má notícia para seu time porque ele vai tender a se arrastar em campo.

Fui salvo do absoluto tédio por um episódio pós-jogo: a triunfal comemoração dos jogadores do São Paulo e mais os torcedores.

“Que título eles ganharam?”, perguntou Chrissie, minha  mulher ao tirar os olhos do Facebook e ver aquela festa toda no gramado.

“Na verdade, saíram da relegation zone (zona de rebaixamento)”, expliquei.

Fazia tempo que não via minha esposa azeda e neurastênica rir daquela maneira.

Aquilo era uma piada.

Vi, agora pela manhã londrina, os melhores momentos do Almighty. Outra piada. O time esqueceu como se faz gol e só lembra de como se toma.

Ladies & Gentlemen: mereço um aumento.

Sincerely

Scott

Tradução: Erika Kazumi Nakamura

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