O recall da Lava Jato é culpa de delatores que não falaram do PSDB ou de agentes que não queriam ouvir? Por Kiko Nogueira

 

Um vídeo recordista de audiência do Porta dos Fundos mostrava uma delação, ou tentativa, em que um empresário é impossibilitado de entregar qualquer coisa que não seja relativa a Lula ou Dilma.

Num caso de vida imitando a arte, o jornal El Pais conta o seguinte:

Delatores que omitiram informações, propositalmente ou não, para a Operação Lava Jato serão convocados a prestar novos depoimentos nas próximas semanas. Entre eles estão representantes das empreiteiras Camargo Correa, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez que deixaram de detalhar supostos esquemas de propina pagos para tocarem obras de responsabilidade dos Governos de São Paulo e de Minas Gerais quando eram administrados pelo PSDB.

 

O grupo de trabalho notou que há informações “que antecedem o acordo de delação premiada de executivos das empreiteiras Odebrecht e OAS citando irregularidades em obras das quais ambas participaram ao lado das demais investigadas ou nas quais foram concorrentes”.

Entre elas estão a Cidade Administrativa de Belo Horizonte, mais um elefante branco assinado por Oscar Niemeyer, o Metrô de São Paulo e o Rodoanel.

Sem admitir o recall, Rodrigo Janot deu a senha. “Existe a possibilidade da pessoa se esquecer mesmo. Estamos falando de anos e anos que se passaram de prática de diversos atos”, falou.

“Agora, se for um esquecimento doloso, deliberado, pode, sim, receber pena maior, aumentar multa e até quebrar a colaboração”.

A Lava Jato, com a cumplicidade dos suspeitos de sempre, destacando-se a mídia, fez tudo para fazer os depoimentos caberem na conta de chegada.

A “Organização Criminosa”, vulgo Orcrim, estava por trás. Inventou a corrupção no Brasil e institui-a com o objetivo de favorecer seu líder máximo, Lula.

Com o tempo, o nome de Aécio Neves começou a aparecer, não uma ou duas, mas várias vezes, bem como o de outros políticos de outras agremiações, até essa versão da história ficar difícil de sustentar.

O PT não é inocente, por óbvio. Mas daí a colocar o partido e seus líderes como tutores de profissionais tucanos e peemedebistas não cola.

Janot está sendo gentil ao afirmar que depoentes estão se “esquecendo”. Na verdade, eles abrem o bico com o que se espera deles, principalmente por medo.

Dessa maneira, por exemplo, se criou a farsa do cheque de 1 milhão de reais nominal a Michel, que, segundo o presidente da Andrade Gutierrez, era propina para o diretório nacional do PT e não a para o peemedebista.

A própria cruzada para jogar Lula na cadeia está se mostrando um tiro no pé. Mais de dois anos e a coisa foi resumida numa apresentação de powerpoint ridicularizada mundialmente.

Que venha o recall da Lava Jato, de preferência o da vida real.

 

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