O que seria de Eduardo Cunha se ele fosse islandês? Por Marcos Sacramento

Ele em seu elemento
Ele em seu elemento

 

Enaltecer os feitos dos países europeus muitas vezes equivale a passar um atestado de complexo de vira-latas, mas não pude deixar de invejar os islandeses ao saber da renúncia do primeiro-ministro do país, citado no caso Panama Papers.

Sigmundur Gunnlaugsson é acusado, segundo documentos que vazaram do escritório panamenho de advocacia Mossack Fonseca, de usar uma empresa offshore para ocultar alguns milhões de dólares provenientes de uma herança familiar.

Por enquanto ele foi a primeira vítima de uma lista que tem chefes de estado (Vladimir Putin e Mauricio Macri), esportistas (Lionel Messi e Ivan Zamorano), monarcas (Salman bin Abdulaziz, rei da Arábia Saudita, e Pilar de Borbón, tia do rei Felipe VI, da Espanha) e celebridades díspares (Pedro Almodóvar e Jackie Chan).

Entre os brasileiros citados na lista estão o ex-presidente do STF Joaquim Barbosa, o senador Edison Lobão e ele, sempre ele, o presidente da Câmara Eduardo Cunha.

Cunha, como é de praxe, negou a existência da empresa offshore. Mesmo expediente usado em relação às contas na Suíça, recheadas de 2,4 milhões de dólares com origem duvidosa.

Se islandês fosse, Cunha já teria sido defenestrado há tempos do cargo de presidente da Câmara.

Mas como legítimo representante do pior da política brasileira, ele não só continua no posto como maneja a condução de um processo de impeachment contra a presidente da República sem que pese contra ela nenhum crime de responsabilidade.

“Nós não podemos permitir isso. A Islândia pareceria simplesmente com uma república das bananas”, disse ao The Guardian o ex-ministro da finanças das Islândia, Steingrímur Sigfússon, a respeito da descoberta da empresa offshore do primeiro-ministro Gunnlaugsson.

Pode ser que Sigfússon nem tenha pensado no Brasil ao usar o termo “república das bananas”, mas o rótulo acaba servido quando comparamos a reação islandesa a respeito do escândalo Panama Papers com a leniência que parte da sociedade e a grande imprensa têm com políticos como Cunha.

Não restam dúvidas de que neste sentido a Islândia está anos à frente do Brasil, que para infelicidade geral da nação não dá sinais de amadurecimento político.

Esta afirmação tem resquícios de complexo de vira-latas? Quem sabe? Mas o pior complexo é o da Gabriela, aquela que cantava “eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim”.

Acreditarmos que o Brasil nunca vai se igualar à Islândia no aspecto político só beneficia a canalhas profissionais como Eduardo Cunha.

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