As revelações de uma nova pesquisa que mostra o crescimento fulminante da internet entre os brasileiros

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A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Secom, divulgou o que chamou Pesquisa Brasileira de Mídia. Foram entrevistadas 18.312 pessoas em 848 municípios entre outubro e novembro do ano passado. Caso alguém ainda tivesse alguma dúvida, o resultado sacramenta o papel preponderante da internet hoje.

Segundo o estudo, 47% da população têm o hábito de se informar pela internet — que teve um “rápido crescimento”, de acordo com o relatório. O meio preferido é a televisão, citada por 76,4%. A rede vem em segundo lugar, com 13,1%.

Mas aí temos um problema: o público de TV envelhece. Entre pessoas de 16 a 25 anos, o número cai para 70% e o da internet sobe para 25%. Os programas citados espontaneamente são Jornal Nacional, a novela das 9, o Domingão do Faustão e o Fantástico — que acumulam perdas de audiência dramáticas há pelo menos 10 anos.

O levantamento também revelou que 75% dos brasileiros não leem jornais impressos e 85% não leem revistas. Dos três jornais considerados de circulação nacional, O Globo é lembrado por apenas 3,8% dos consultados, a Folha de S. Paulo é citada por 2,1% e O Estado de S. Paulo, por 1,3%.

Os internautas passam, em média, três horas e 39 minutos online, de segunda a sexta-feira. Entre os jovens com menos de 25 anos, 77% têm contato com a internet pelo menos uma vez por semana; 84% ainda acessam a rede por computador, enquanto 40% costumam navegar pelo celular e 8% usam tablets. Das pessoas com nível superior, 58% entram na rede diariamente, contra 56% que assistem televisão.

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Evidentemente, é uma tendência mundial. Calcula-se que haja 2,5 bilhões de usuários no planeta — e contando. 70% deles entram na rede todo dia. É um incremento de 566% desde 2000.

Bem, onde isso coloca o DCM? Na convicção de estar na trilha certa.

Só para citar um exemplo, de vários possíveis, do choque de dois mundos: em 2003, a revista Newsweek, a segunda semanal americana no século passado, tinha uma circulação de 4 milhões de exemplares. Em 2010, baixou para 1,5 milhão. Naquele mesmo ano, ela foi vendida por 1 dólar (o comprador assumiu as dívidas). Em dezembro de 2012 saiu o último número impresso.

Na semana passada, foi relançada em papel pelos novos donos. A primeira reportagem de capa da versão ressuscitada, sobre o suposto inventor da moeda virtual bitcoin, está sendo considerada uma das maiores “barrigadas” da história do jornalismo. Mas esse é menor dos problemas.

“A Newsweek não é mais influente, os proprietários não a tonarão influente com o dinheiro que têm para gastar e talvez nem com todo o dinheiro do mundo”, diz o colunista de mídia do Guardian, Michael Wolff. “Ela será atropelada pela internet — novamente. Na vida, tudo é incerto, com exceção da morte, dos impostos… e do fato de que a Newsweek impressa vai fechar mais uma vez em menos de um ano.”

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