O que Marina perde (e ganha) com a revolta de Malafaia na questão dos gays

Malafaia
Malafaia

Silas Malafaia está irado. Possuído. Desvairado.

Em sua conta no Twitter, ele prometeu fazer na terça-feira o discurso mais duro que já fez contra um candidato à presidência.

Na verdade, trata-se de uma candidata. Marina.

Malafaia chegou a escrever tuítes em caixa alta, o que significa berrar.

Ele se diz traído por Marina. A razão é o trecho do programa dela que trata dos direitos dos gays.

O programa representa um extraordinário avanço no reconhecimento dos direitos dos homossexuais – ou uma ameaça intolerável à família cristã, na visão de Malafaia e de fundamentalistas evangélicos.

Alguns pontos essenciais: o reconhecimento do casamento entre pessoas do mesmo sexo, o direito à adoção de crianças por casais gays e a criminalização da homofobia.

Numa nota oficial, Marina avisou que algumas coisas de seu programa no quesito direitos da comunidade gay ainda estão em processo de acabamento.

Mas no comunicado os pontos vitais, os que atraíram a beligerância de Malafaia e derivados, estão reafirmados.

Assim disse Malafaia sobre o esclarecimento: “O programa de governo de Marina pensa que o povo de Deus é idiota. Corrigiu palavras, mas a essência é a mesma. Pior, cheia de subjetividades.”

O item que mais incomoda os radicais evangélicos é o chamado PLC 122. É um projeto de lei que criminaliza a homofobia.

“A coisa é tão vergonhosa que querem trazer de volta o PLC 122. Levamos sete anos para derrotar esse lixo moral, absurdo!!”, tuitou Malafaia.

Ou seja: caso passe o PLC 122, Malafaia pode terminar na cadeia.

Outro evangélico influente, o deputado Eduardo Cunha, ecoou, também no Twitter. “Quero ver qual liderança evangélica ou coragem terá coragem de defender um programa desses”, disse ele.

A fúria evangélica pode parecer má notícia para Marina. Mas não é.

Ao tomar uma posição desassombrada em relação aos direitos dos homossexuais, ela afasta o receio de muitos potenciais eleitores “progressistas” de que sua condição de evangélica possa influenciar seu governo.

Na própria comunidade evangélica, não são tantos assim os que babam como Malafaia.

Marina ganha mais que perde ao deixar claro que não vai governar com a Bíblia nas mãos, e nem com Malafaia no cangote.

Claro que Marina fez todos os cálculos ao definir seu programa para os gays. O que ganha, o que perde etc.

Isso mostra outra característica sua: é calculista, seja isso uma virtude ou um defeito.

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