O que esperar dos protestos do 7 de setembro

Esquerda, direita, centro, mascarados, desmascarados e Caetano Veloso.

sete de setembro

O que esperar? Uma confusão dos infernos.

Tudo começou com a página Operação Sete de Setembro no Facebook. Ali se vê que a manifestação tem 405.160 adesões (vão), mais 148.629 indecisos (talvez) de um total de 5.174.817 convidados. Números até o momento.

Vai ser um protesto da direita? Sim e não. Movimentos sociais de tendência esquerdista não se contentarão em ficar assistindo do sofá e também irão às ruas.

Arielli Moreira, executiva nacional da ANEL (Assembléia Nacional dos Estudantes Livres), garantiu em entrevista ao Diário que uma data como o dia da independência não pode passar em branco. “Com certeza tem que ter nossa presença. Participaremos do Grito dos Excluídos, que é um ato nacional, e que este ano tem importância fundamental com todos esses protestos. Estaremos presentes, sim.”

Podemos portanto esperar uma guerra pela manutenção das bandeiras. Os portadores da bandeira do Brasil exigirão o banimento das bandeiras de partidos, sindicatos e até mesmo de movimentos sociais (o Movimento Passe Livre é um que ficou com a imagem arranhada entre os “patriotas”), que por sua vez cuspirão o rótulo de “fascitas” no rosto dos “despolitizados” e “coxinhas”. A lista de impropérios de ambas as partes é extensa.

“Não queremos que haja guerra. Mas temos uma experiência política que precisa ser respeitada pelo pessoal que desconfia de todas as organizações, sindicatos, partidos etc. E é justo, acho que é legítimo que haja essa desconfiança. Mas devemos ter clareza de qual é nosso verdadeiro inimigo e qualquer um que traga essa discussão será bem vindo”, declarou Arielli.

Ainda assim, não é preciso faculdade em profecia para prever um clima similar ao de torcidas rivais que se encontram fora do estádio.

Os últimos dias foram de fortes emoções com o embate sobre a proibição das máscaras. As ações das autoridades e polícias no Rio e em Brasília, sobretudo, contribuíram para acirrar os ânimos (o pedido pela desmilitarização da polícia certamente será uma dos gritos mais repetidos).

O Rio de Janeiro é o local onde o caldo pode entornar de vez. Nas últimas semanas, foram frequentes durante as manifestações os gritos de que o Brasil se tornará o Egito. E as chances de que black blocs entrem em confronto não só com policiais mas com manifestantes que tentarão fazer pacifismo com as próprias mãos também não devem ser desprezadas.

Lá inclusive, o 7 de setembro deve começar na véspera, com um ato que exigirá a liberdade dos black blocs presos. Marcado para as 16:30, não é difícil imaginar que, conforme as leis da física de ação e reação, pode varar a noite e emendar nos protestos que estão agendados para logo cedo, como o da Frente Independente Popular (na av. Presidente Vargas, às 7:00).

Com as barracas atacadas durante a última madrugada pelo Agefis (Agência de Fiscalização do Distrito Federal), o Acampamento União Brasília em frente ao Congresso já havia sofrido abordagem e detenções de alguns integrantes. Não se pode esperar que estejam de bom humor. E aquele que foi provavelmente o mais famoso, o Ocupa Cabral, também recolheu as barracas esta manhã (ainda se especula se por iniciativa própria ou fruto de ameaças, uma vez que a quebra de sigilos está ocorrendo). O setembro negro está começando começando. Melhor conferir in loco, pois a TV só mostra o que lhe convém.

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