O que Carla Vilhena deve ter escrito na carta de despedida que foi proibida de ler?

Eis a pergunta que não quer calar.

Ela
Ela

 

Carla Vilhena teria sido proibida de se despedir de sua audiência no Bom Dia São Paulo, o jornal que apresentava desde 2010. De acordo com o colunista de TV Daniel Castro, ela soube que seria substituída pela imprensa. Não pôde ler sua nota de adeus e, abalada, não conseguiu terminar sua participação no telejornal. Saiu do prédio, diz a coluna, amparada por funcionários.

A emissora está reformulando as bancadas de seus programas jornalísticos. Carla será repórter do Fantástico. Isso já seria razão suficiente para deixar uma pessoa deprimida, mas a mesquinhez da ordem deve ter calado fundo na apresentadora.

Agora, o que Carla pode ter escrito de tão grave? Teria ela uma bomba nas mãos? Uma denúncia contra Roberto Marinho? A verdade sobre a cobertura da Globo das eleições do Vaticano? A revelação de um pacto entre Marco Feliciano e Glória Perez para emburrecer o Brasil? A cura do câncer? Mais: se Fátima Bernardes se despediu do Jornal Nacional em grande estilo, por que não Carla Vilhena? Hã? Hã?

Provavelmente, a carta, se existiu, está guardada em seu email. Enquanto ela não vem à tona (porque, uma hora, virá), uma equipe de investigadores renomados fez simulações de seu conteúdo. O Diário teve acesso a algumas versões:

1. Caros telespectadores,

Hoje estou me despedindo do Bom Dia São Paulo. Mas antes queria deixar uma mensagem importante: Roberto Marinho não morreu. Ele está, neste momento, em sua mansão no Cosme Velho, com sua tartaruga, jogando gamão e vendo tudo o que vocês fazem quando mudam de canal. Doutor Roberto, tamo junto.

Beijo no coração!

 

2. Amigos telespectadores,

Cansei de acordar às 4 da manhã e dormir às 8 da noite. Tenho dois filhos pequenos e eles precisam da mãe deles. Eu sei que ninguém presta atenção no que digo a essa hora da manhã, por isso vou recitar o livro do Gênesis vestida de Mulher-Maravilha. Pode entrar, Cid.

Beijo no coração!

 

3. Amigos,

Fiquei sabendo agora que fui transferida para o Fantástico. É uma honra apresentar um programa tão querido e tradicional ao lado de tanta gente talentosa. Antes de começar, estarei fazendo uma viagem de cinco anos e meio, durante a qual estarei captando imagens para uma grande reportagem que será transmitida em 739 domingos seguidos. Me sigam no Fêice. Estarei postando as fotos.

Beijo no coração!

 

4. Caros telespectadores,

Mostrei minha carta de despedida à direção da TV Globo e eles amaram o que escrevi. Fizeram apenas alguns cortes – que eu, aliás, achei irretocáveis. Coisa mínima. Às vezes eu escrevo demais, né? Brigado, Boss! Escrever é cortar, já dizia Clarice Lispector. Bom, ficou assim: “Tchau, turma. Beijo no coração!”

 

5. Amigos e amigas,

Eu queria… dizer… obrigado… Estou saindo. Na verdade, o que aconteceu foi que…

(Carla é interrompida. Ela se debruça sobre a bancada aos prantos. Entra a moça do tempo. Sérgio Chapelin a ampara, cantando baixinho em seu ouvido o tema do Esporte Espetacular. Ela se desembaraça dele, apanha um tótem de iluminação e começa a quebrar o estúdio. A segurança é convocada. Ela é contida. “Tamo junto, Carla, tamo junto… Sshhhh…”, diz o maquiador. Ela se acalma e caminha lentamente para longe das câmaras. Os cinco telespectadores acordados às 6 e meia da manhã continuam tomando o café com leite).

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