O protesto antigolpe é um marco para a democracia

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Centrais sindicais e movimentos sociais levaram uma multidão para a avenida Paulista — 100 mil segundo os organizadores, 41 mil para o Datafolha, 12 mil de acordo com a PM. Para mim, foram 80 mil. Explico melhor logo mais.

Se a intenção era a de demonstrar força e capacidade para colocar um volume de pessoas que representasse a maioria que venceu as eleições, e com disposição para defender a posição democrática exercida pelo voto, a missão foi cumprida.

Nem tudo eram flores. Queixas sobre a perda de direitos trabalhistas, de benefícios previdenciários, a procrastinação das reformas política e agrária, foram temas igualmente empunhados. Concentrados no vão do MASP, professores aderiram ao ato e ao mesmo tempo anunciaram greve geral.

O denominador comum ficou por conta da preocupação com o fantasma impeachment e a campanha que está preparando esse terreno.

“A mídia tentou vender que o ato de hoje seria chapa branca, mas esse movimento não foi organizado apenas em apoio. Dissemos à presidente Dilma que se ela não quer ver a direita ditar a agenda do governo então é preciso que o governo faça mais e melhor para que o povo não precise mais bater panelas”, disse Adilson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores do Brasil).

“Nós ganhamos a eleição e sabemos que, embora a vitória política permitisse um novo horizonte, as forças conservadoras com o apoio da rede Globo contemplam uma onda contra a soberania das urnas. Nós estamos vendo a história se repetir. Aquilo que se viu em 1964 tenta se repetir agora”.

A manifestação partiu da sede da Petrobras, ícone do momento atual. “Dima já dizia que a Petrobras é o passaporte para o futuro do povo brasileiro. Uma exploração de petróleo que equivale a mais de 8 trilhões de reais e que pode garantir royalties para saúde e educação. Por isso é necessário colocar na ordem do dia a luta por uma reforma política”, prosseguiu Araújo.

Com forte chuva durante praticamente todo o trajeto, o ato terminou na Praça da República, onde Vagner Freitas, presidente da CUT, fez sua análise sobre o próximo domingo. “Nós demonstramos o tamanho que temos como organização social, mas quem estiver achando que esse nosso ato é um ato de guerra está muito enganado. Há uma parcela querendo dividir o Brasil e desejando fazer guerra porque perdeu a eleição. Nós queremos fazer um chamamento à unidade. A eleição acabou. Quem quiser derrotar a Dilma, se tiver condições, que o faça nas eleições daqui 4 anos.”

Bem depois da manifestação ter deixado a frente da Petrobras, um pequeno grupo pró-impeachment marcou presença no local. Era o povo dos Revoltados Online. Não houve o temido encontro.

Agora é aguardar o domingo e verificar pelo volume de pessoas qual será o número “oficial” de participantes divulgado pela PM e pela mídia e quem “venceu” a disputa de qual setor coloca mais gente na rua. Os 80 mil anunciados no início deste artigo são uma estimativa empírica deste colunista baseada em sua larga experiência de quase meio século frequentando estádios de futebol. O volume de pessoas presentes na tarde de ontem, do “time vermelho”, lotaria dois Pacaembus facilmente. Domingo é a vez do “time preto” demonstrar se enche o Morumbi.

 

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