O jornalismo jihadista da Band no debate com os presidenciáveis

E o bolivarianismo é coisa nossa
E o bolivarianismo é coisa nossa

 

O trio de jornalistas que entrevistou os presidenciáveis no debate da Band virou notícia, não necessariamente pelos melhores motivos. Bonner e Patrícia Poeta deram o tom dos encontros com os candidatos no JN: agressivos, pretensamente equânimes, falando muito.

Na Band, a fórmula foi aplicada com um resultado piorado e ideologicamente mais contaminado.

Se Fábio Panunzio foi mais contido, Boris Casoy e José Paulo Andrade lançaram mão de todos os clichês reaças para inquirir Dilma e Marina e alertar a população brasileira para o risco que corremos.

Zé Paulo, num terno amarfanhado, repetiu o que sempre fala na rádio Bandeirantes. Levantando a bola para Aécio, para Dilma responder em seguida, tascou:

“O governo federal criou por decreto o Conselho de Participação Social. É uma instância direta vista com apreensão por muitos setores: seria uma ameaça ao Congresso Nacional e consequentemente ao equilíbrio institucional. Seria uma bolivarização do Brasil nos moldes chavistas e agora a própria candidata acaba de lançar a ideia de um plebiscito para fazer a reforma política, o que, me parece, deixa de lado o Congresso Nacional. Como o candidato vê a movimentação dessas peças no tabuleiro político?”

Aécio, claro, aproveitou a chance para elogiar a democracia etc etc. Dilma saiu-se com uma explicação de que, se plebiscitos são bolivarianos, a Califórnia é bolivariana.

Boris perguntou a Eduardo Jorge para Dilma comentar:

“Por considerar um assunto importante e grave, que envolve a liberdade no país, vou voltar à questão do controle social da mídia. O partido da presidente, o PT, insiste num plano de censura à imprensa, que eufemisticamente chama de democratização da mídia. A bem da verdade, a presidente Dilma, a candidata Dilma, não adotou, criou uma barreira, não tem colocado em prática, apesar da insistência do partido, essa ideia. Eu queria perguntar: se eleito, o candidato Eduardo Jorge vai levar esse plano adiante?”

Se o jornalismo existe também para explicar questões complexas, o telespectador se deu mal.  Zé Paulo ainda atacaria novamente, dizendo que as manifestações do ano passado pediam reformas no sistema penal e pedindo para Luciana Genro, do PSOL, opinar.

Luciana, educadamente, lembrou Zé Paulo de que as pessoas não foram à rua por isso.

Foi um bom resumo da participação de Zé Paulo e de sua incapacidade de enxergar o mundo — ou melhor, a sua tendência a encaixar o mundo em sua visão tacanha. Questões objetivas não houve, e sim embates entre o bem e o mal.

O trio não ajudou a esclarecer nada, não jogou luzes sobre nada. Para o horror completo, faltou apenas a colunista cabeça oca Inês de Castro, autora dos comentários mais rasteiros do rádio mundial desde Thomas Edison. Talvez seja absurdo esperar o contrário. A única coisa que ficou ainda mais patente foi o nível do jornalismo jihadista praticado pela emissora.

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