O fiasco do World Bike Tour São Paulo

A concentração na Ponte Estaiada
A concentração na Ponte Estaiada

 

Seria um passeio de bicicleta por uma das artérias paulistanas. A cidade dos carros receberia gentilmente um mar de ciclistas na Marginal Pinheiro. A saída da turma da Ponte Estaiada (Octávio Frias de Oliveira) comporia o cenário de cartão postal. O fácil percurso de 10 quilômetros em via plana era irresistível.

Fiz a inscrição no World Bike Tour com uma imagem dessa na cabeça.

A sexta edição do WBT São Paulo aconteceu em 2 de fevereiro e reuniu cerca de 8 mil ciclistas. Nada rolou como o planejado. O que se viu foi desorganização e descaso. A confusão começou, na verdade, com o adiamento da data original do evento. Há seis anos, ele ocorre no dia 25 de janeiro, aniversário da cidade. Em 2014 não seria diferente, até que na véspera (apenas com um dia de antecedência) os inscritos foram informados de que o WBT seria transferido para a semana seguinte. A alegação era de que milhares de bikes ficaram retidas em um porto no Pará.

No domingo, chegamos ao ponto de partida do passeio às 8 da manhã, uma hora antes da largada, para pegar nossas bicicletas. Funciona da seguinte maneira: as inscrições são feitas na internet (www.worldbiketour.net/wbtlandpage/index.html; atualmente, fora do ar) e quem é sorteado precisa pagar um boleto de 300 reais para ter direito a participar do passeio com bicicleta, capacete, mochila e camiseta (os produtos estampam nomes dos patrocinadores Prefeitura de São Paulo, Rede Globo, Levorin, Planac e Clube Pinheiros).

Nas pistas que levavam ao alto da ponte havia centenas de bicicletas quebradas, além de pedaços das magrelas: quadros num canto, bancos e rodas em outro. Desperdício de dar dó. Os participantes do WBT perdidos nesse caos aconselhavam uns aos outros a pegar qualquer bike para não sair de mãos vazias. Parte do público se arriscava ao atravessar de uma alça da ponte à outra, sobre uma viga de cerca de 5 metros de altura, na tentativa de garantir as bicicletas pelas quais pagaram.

O meu saldo foram duas bikes em estado razoável (“apenas”sem freios, com pedal quebrado, riscos na pintura e pneus murchos que travavam, possivelmente por  falta de alinhamento). Mas antes da pedalada eram necessários  ajustes de segurança  — sob um sol absurdo, levavam-se duas horas e meia na fila de uma tenda onde ficava a oficina.

Às 11h10, finalmente prontas para encarar a Marginal Pinheiros, fomos impedidas por funcionários da CET porque as pistas logo seriam liberadas aos carros. Os afortunados que conseguiram bicicletas intactas, a essa hora já estavam na reta final do passeio.

Uma turma registrou boletim de ocorrência na delegacia. No Facebook surgiram grupos indignados. O Procon deve notificar a organização. O Ministério Público de São Paulo já tinha instaurado inquérito para apurar possíveis abusos da Bike Tour Eventos Esportivos na ocasião em que o passeio foi adiado.

Minha filha, eu e nossa amiga Sílvia voltamos para casa pela ciclofaixa das avenidas Luís Carlos Berrini e Faria Lima. Conseguimos nos divertir com o ajuste de rota. Mas o World Bike Tour é um mico.

Os participantes tentam buscar suas bicicletas atravessando uma das alças da ponte
Os participantes tentam buscar suas bikes atravessando uma das alças da ponte

 

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