O falso dilema traficantes X policiais só serviu para mostrar a cabeça oca de Fátima Bernardes. Por Sacramento

Fátima e um major passam um pano na polêmica
Fátima e um major passam um pano na polêmica

 

Fátima Bernardes teve a chance de levantar um debate condenando a ideia de que “bandido bom é bandido morto”, mas optou por colaborar com a confusão entre vingança e justiça que atinge grande parcela da população.

Para mitigar as críticas à enquete em que parte do público e de convidados do seu programa responderam que um traficante ferido gravemente precisa de atendimento prioritário em relação a um policial levemente ferido, a apresentadora convidou um oficial da Polícia Militar do Rio de Janeiro a quem prestou os devidos esclarecimentos.

“Em nenhum momento houve escolha pelo tráfico em detrimento do trabalho policial”, disse Fátima em uma espécie de pedido de desculpas, a despeito do fato de que os críticos sequer entenderam o teor da enquete.

O que ela disse na sequência foi esclarecedor.

“Nas redes me perguntavam ‘se fossem os seus filhos que estivessem num hospital, você preferiria que fossem atendidos sua filha, seu filho ou o policial?’. Não precisa nem colocar a família, se estivesse ali um policial e um traficante, eu Fátima, que no dia nem dei opinião, iria socorrer o policial, mas eu não sou médica, eu poderia fazer isso. E eu como mãe, eu como parente, conhecida, tenho pai militar, certamente escolheria quem está ao lado da lei para ser tratado. Mas assim como a questão médica, assim como o traficante tem direito a um advogado, e nem por isso nós vamos atacar o advogado que está defendendo o traficante nem atacar o médico que por questões profissionais optou por tratar quem está em maior risco de vida”.

Pela lógica da apresentadora, a obrigação de atender primeiro a vítima em pior estado de saúde cabe aos médicos apenas, “por questões profissionais”. Os demais cidadãos, por outro lado, têm o direito de socorrer um policial com o tornozelo torcido e deixar um traficante sangrando até morrer sem que isso lhes tire o sono.

A discussão que ela promoveu no programa exibido no dia 17 para divulgar um longa-metragem co-produzido pela Globo Filmes renderia um fértil debate neste momento polarizado, em que a violência urbana é vista como um embate entre mocinhos e bandidos.

O dilema entre salvar o policial e o traficante serviria para lembrar que acima de tudo se tratam de vidas humanas e cabe apenas à Justiça determinar quem é culpado ou inocente. Simples assim.

Exibida duas semanas após a revelação de que 57% da população acha que “bandido bom é bandido morto”, a edição do Encontro ajudaria ao menos a colocar uma pitada de humanidade na opinião pública contaminada pelo ódio.

O problema é a apresentadora. Pelo teor da conversa com o major da PMRJ, dá para supor que Fátima Bernardes está incluída entre aquela maioria fã do Paul Kersey, matador interpretado por Charles Bronson na franquia “Desejo de Matar”.

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