O espírito hacker

Assange é defendido pelo Anonymous

Admito.

Admito que tinha uma idéia preconceituosa em relação aos hackers. Imaginava que fossem delinquentes cibernéticos. Gente que pega informações como o número de um cartão de crédito – o meu, por exemplo – e sai fazendo compras como mulheres em liquidação.

Como Toni, membro da gangue do Diário do Centro do Mundo, bem colocou num comentário, o espírito hacker é o oposto disso. É a crença de que o computador surgiu para liberar a humanidade. É a visão de que todas as informações são livres. É a desconfiança para com todos os governos e organizações centralizadas. É a crença de que todo mundo tem direito a um computador. Um livro cultuado de 1984, de autoria de Steven Levy, resume a filosofia hacker. O nome é sugestivo: “Hackers: os heróis da Revolução do Computador”.

Vejo agora com fascínio o Anonymous, os hackers que saíram em defesa do Wikileaks. Acabo de ler um manifesto deles. Eles não se definem como um grupo, mas como um encontro na internet. Há uma imagem poética usada para caracterizá-los. Formam um grupo apenas no momento em que, como um bando de pássaros, voam na mesma direção.

Como agora, em que estão com o Wikileaks – e com a liberdade de expressão.

No documento, eles explicam que querem levantar o grau de conhecimento sobre o cerco ao Wikileaks. Por isso não fazem sentido estragos na infraestrutura dos sites das grandes corporações que romperam com o Wikileaks. Os Anonymous mostram que têm uma pureza de samurais no combate. Não quiseram atacar o site da Amazon, depois que esta cortou a hospedagem, para não transtornar os conumidores de livros.

No manifesto, eles lembram que jamais houve um movimento similar a este, que recebeu o nome de Operation Payback, Operação Retorno. Por isso o aprendizado se dá em “tentativa e erro”.

2010 trouxe o Wikileaks. Trouxe Assange. Trouxe o Anonymous.

É um bom saldo.

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