O dia em que os blindados de Alckmin foram recebidos à moda palestina na Zona Leste. Por Paulo Ermantino

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Moradores de ocupação na rua André de Almeida em São Mateus, na zona leste de São Paulo, resistem à reintegração de posse e entram em confronto com a Tropa de Choque na terça (17/01). Foto: Paulo Ermantino/Raw Image

POR PAULO ERMANTINO, fotógrafo e artista gráfico autodidata, nascido criado nas ruas da periferia de São Paulo.

A resistência dos trabalhadores sem teto da Ocupação do Jardim Colonial, na zona leste de São Paulo, durante a reintegração de posse executada pela Política Militar é uma aula de história por seus acontecimentos e por todo o simbolismo que a cercou.

Durante a madrugada, os moradores fecharam o acesso à rua com barricadas da mesma forma que os trabalhadores de Paris tantas vezes o fizeram, com diferença de que as ruas já não fornecem os paralelepípedos para construir as barricadas.

Mas isso obviamente não foi um problema, pois nas barricadas havia pneus, móveis velhos, troncos de madeira e estruturas de ferro. E, para ajudar, por toda a rua foram espalhadas pedras de todos os tamanhos. Tudo para impedir a entrada da polícia.

Essa disposição de impedir a entrada da polícia tem seus próprios históricos e referências. Nas periferias das grandes cidades os trabalhadores e os cidadãos são alvos constantes de violência policial.

Para quem não vive essa realidade é possível escutar o rap de 1997 dos Racionais Mc’s “Capítulo 4, Versículo 3”:

“60% dos jovens de periferia sem antecedentes criminais já sofreram violência policial,
A cada 4 pessoas mortas pela polícia, 3 são negras”.

Como se isso não fosse suficiente, o governo do estado Alckminsta usou seus famigerados caminhões blindados para dispersão de tumultos importados de Israel. E qual foi a resposta dos trabalhadores brasileiros?

A mesma do bravo povo palestino em suas intifadas, a resistência com lançamentos de pedras contra as forças armadas de um estado opressor.

E fora Davi que derrotou Golias com uma pedra, todos sabíamos que a chance de vitória era mínima, mas enquanto houvesse uma única pedra a ser lançada e um único pedaço de terra a ser defendido contra o avanço da PM e suas bombas de gás lacrimogêneo e suas balas de borracha, essa pedra não deixou de ser lançada e a terra não deixou de ser defendida.

Mesmo no meio de uma forte chuva, era possível enxergar as lágrimas das mulheres desesperadas para saber dos seus companheiros, filhos e amigos e a dor por não saber se elas conseguiriam retirar seus poucos pertences antes que as máquinas destruíssem tudo.

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