O dia em que fiquei numa jaula de zoológico

Zoológico de Bauru

De Zoológico eu entendo. Passei um dia inteiro dentro de uma jaula. Foi num domingo, 13 de agosto de 2000, dia dos Pais.

Combinei com o diretor do Zoo de Bauru – um dos melhores do Brasil, aliás – passar um dia assumindo o animal que eu sou ao público visitante. Os caminhos do parque traziam cartazes indicando que “o mais perigoso animal do mundo” estava em exposição. Elas informavam que eu pertencia a uma espécie predadora e irracional que estava provocando um desastre sem precedentes no planeta. Eu mesmo.

 

Fiquei no recinto dos babuínos, que passaram o domingo trancados no recinto olhando para mim sem poder tomar sol. Muitos visitantes esperavam que eu estivesse pelado e comendo carne crua. Mas eu passei o domingo vestido, sentado numa poltrona lendo a última edição da Economist.  Eventualmente chegava perto da grade e conversava com alguma criança, ou dava algum esclarecimento.

Não faltaram aqueles cretinos de sempre que se aproximavam com algum objetivo maldoso em suas caras. Os babuínos provavelmente jogariam as próprias fezes em gente desse tipo. Eu tinha uma arma ainda mais ameaçadora: uma câmera fotográfica. Pela primeira vez os visitantes de um zoo foram fotografados pelo animal exposto.

Foi uma experiência agradável? Do ponto de vista jornalístico foi riquíssima. Do ponto de vista pessoal, estressante. A impossibilidade de qualquer privacidade não é fácil. Você não sabe a intenção do próximo visitante. Na matéria que escrevi para a Playboy imaginei um diálogo com o chefe da família de babuínos que me olhava curioso de seu recinto.  E pedi desculpas a ele em nome de todos os Homo sapiens.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here