O celebrado cientista cético que reconheceu estar errado na questão do aquecimento global

 

Era uma vez um cético.

Cético climático. Não qualquer um, mas um cientista renomado. Richard Muller, da universidade americana Berkeley.

Muller era sempre entrevistado por jornalistas interessados em firmar um ponto: o aquecimento global não é fruto do homem. Isso quer dizer: podemos então continuar a estuprar o planeta em nome da liberdade de empreender.

Pois bem.

Num artigo de repercussão mundial publicado no NY Times, Muller se declarou um “cético que foi convertido”. Ele participou de estudo de Berkeley que trouxe conclusões que o convenceram, “como cientista”, de que o homem está por trás, sim, da elevação da temperatura.

A honestidade de Muller é desconcertante.

Em geral, cientistas “céticos” são movidos não a evidências científicas – mas sim ao dinheiro de indústrias que financiam pesquisas cuja conclusão já está dada antes mesmo do primeiro passo.

No passado não muito distante, os céticos retardaram o quanto puderam o consenso em torno dos males causados pelo cigarro.

No início de minha carreira, em 1981, quando era repórter da Veja, fui cobrir um encontro científico em Nova York patrocinado pela Philip Morris. Diversos pesquisadores mostravam a nós, jornalistas, dados que supostamente provavam que o cigarro não fazia mal.

No livro “Os Mercadores de Dúvidas”, de 2010, dois historiadores, Naomi Oreskes e Erik M. Conway, estabeleceram um fascinante paralelo entre os cientistas que defendiam o cigarro e os que, hoje, negam a mão humana no aquecimento.

A conversão do cientista Richard Muller é uma boa notícia não apenas para os “anticéticos” – mas para o planeta e as futuras gerações.

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