O candidato do “kit macho” e os Tiriricas do Mal

 

O candidato a deputado federal pelo PSDB de Brasília Matheus Sathler é um caso de polícia e um retrato do nível de confusão mental a que chegou a direita religiosa no Brasil.

Advogado, 31 anos, casado, evangélico, Matheus já tinha feito algum barulho em julho quando afirmou que defenderia “as crianças vítimas do estupro pedófilo homossexual”.

Foi agora advertido pelo diretório do partido por causa de um vídeo no horário gratuito em que promete que, se eleito, criará o “kit macho” para ensinar “meninos a gostarem somente de mulher”.

Uma nota oficial do PSDB declara que “o Sr. Matheus Sathler, desde a sua filiação no partido e enquanto pleiteava sua candidatura nunca manifestou e nem defendeu essas posições hoje defendidas” e que “não admitirá utilização de seu nome em propaganda contrária aos ideais do partido.”

Balela. Os partidos têm pouco ou nenhum controle sobre isso. Se a coisa é feia para os que pleiteiam o governo do estado, no baixo clero a situação é ainda mais dramática.

A falta de noção de Matheus é parecida com a de Daniela Schwery, a candidata do PSDB de São Paulo que espalhou uma versão segundo a qual Dilma Rousseff tramou o acidente de Eduardo Campos. Pegue alguém com defeitos de fábrica — ignorância, preconceito, fanatismo, burrice, histeria, histrionismo –, passe uma demão de subliteratura conservadora e pronto. Eis um nome para combater o comunismo que assola o país.

Sathler é um clássico do sujeito que bate a carteira e grita “pega ladrão”. Como Danilo Gentili, Roger, Lobão e outros aloprados, fala barbaridades, ofende, calunia, mente, distorce. Quando acionados ou questionados por suas vítimas, eles acusam a censura e a ditadura.

Se o vídeo do “kit macho” for tirado do ar, Sathler garante que pretende ir à Justiça. “Eu vou entrar com um mandado de segurança garantindo a minha liberdade de expressão”, disse ao Ig.

O YouTube tem imagens de alguns de seus cultos. Num deles, sobe ao púlpito para garantir que ex-comunista, ex-homossexual, ex-ladrão, ex-sequestrador e ex-bandido entram no céu, menos ex-crentes. (Segundo Tiago Tadeu, programador do DCM e ex-crente, é uma pregação corriqueira para não perder o dinheiro dos fieis). A mulher dele, Sabrina, do lar, aparece cantando hinos gospel.

O obscurantismo de Sathler já lhe rendeu mais do que 15 minutos de fama. É pouco provável que seja eleito, mas sua existência dá uma boa noção de que Tiririca está longe de ser o pior palhaço do Brasil.

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