O Blocão joga luzes sobre o obsoleto mundo político nacional

A turma está brava
A turma está brava

As razões podem ser tortas e os interesses escusos, mas o fato é que o Blocão está jogando luzes sobre a tenebrosamente anacrônica cena política nacional.

Ficamos sabendo que as coisas no Congresso são feitas para esconder, e não revelar, coisas que a sociedade tinha que saber e debater.

Sem querer um serviço foi prestado pelos descontentes do Blocão – um grupo calculado em 260 deputados federais, a maior parte do PMDB, inconformados com o que julgam ser o tratamento ruim que o governo lhes dá.

Veja o caso da Petrobras, por exemplo. Acusações de propina contra a Petrobras estavam sendo abafadas por compadrio político.

É bom que a presidenta da empresa dê satisfações sobre o caso. Não estamos falando tanto da Siemens e da Alstom?

Que se esclareça essa história. Se a Petrobras está sendo injustamente acusada, que mostre isso. Fingir que não está acontecendo nada não adianta.

Transparência: o país precisa de um choque de transparência para derrubar o trabalho de acobertamento que se faz no Congresso, à custa do interesse público.

Dias atrás, um vídeo mostrava o senador Requião dizendo, com um sentimento que misturava raiva e impotência, que não conseguia emplacar na casa um pedido de esclarecimento sobre o conhecido caso de sonegação da Globo.

“A Globo comanda esta casa?”, perguntou ele.

Bem, pelo visto não só a Globo.

É engraçada a posição do governo em relação ao PMDB. O PMDB é o PMDB, todos sabemos desde sempre. O PT, ao casar com o PDDB, imaginava o que, que fosse obter apoio dos peemedebistas de forma desinteressada e generosa?

Certas coisas desafiam a lógica. Petistas menos conformados dizem: “É preciso votar no PT para que desapareça a aliança com o PMDB.” Mas Lula não pede votos para a dinastia Sarney no Maranhão? E não se está se forjando uma aliança com a família Barbalho em Belém? E mesmo assim aparece a lorota de que é vital votar no PT.

Em junho do ano passado, as ruas foram tomadas por manifestações que pediam outra forma de política.

Dilma, sob pressão, prometeu mudanças.

Passados nove meses, o tempo de uma gestação, a novidade é o Blocão. Pausa para rir.

Depois os líderes petistas reclamam quando a garotada vai para as ruas e diz que o PT é mais do mesmo.

Brecht, numa de suas melhores exortações, disse que não nos devemos imaginar que nada seja “impossível”, porque isso nos paralisa.

Parece ter se consolidado no meio político, lamentavelmente, a visão de que é “impossível” governar de outra forma se não esta que temos.

Também é “impossível” regular a mídia, e tantas outras coisas.

Não é.

Dizer que é “impossível” é na verdade uma maneira de tentar justificar incompetência, acomodação e falta de combatividade.

Os brasileiros estão – justificadamente – cansados disso.

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