O antissemitismo cresce na Europa com a guerra em Gaza — mas o problema existe há anos

nazismo

Publicado originalmente no Global Post.

 

Muitos jornais, incluindo o New York Times, estão relatando que, desde que Israel lançou sua operação militar contra o Hamas em 8 de julho, têm havido alarmantes manifestações de antissemitismo na Europa.

Isto é verdade. Mas há uma verdade mais assustadora: a Europa tem um problema crescente de antissemitismo há anos.

Há uma boa razão para se preocupar com tudo isso. A Europa tem uma rica história de fascismo e de nazismo, e assassinatos em massa de judeus. Os governos da Alemanha, França e Itália estavam todos tão assustados coletivamente a respeito dos protestos vitriólicos recentes contra os judeus que emitiram uma declaração conjunta em 22 de Julho: “A retórica antissemita e a hostilidade contra os judeus, e os ataques a pessoas de fé judaica e sinagogas não têm lugar em nossa sociedade “, disseram, em uníssono glorioso.

Só no Reino Unido houve 130 incidentes antissemitas no mês de julho. Esse foi o maior volume mensal desde fevereiro de 2009 e é difícil imaginar que seja uma coincidência. A maioria dos países europeus já teve pelo menos um ou dois incidentes antissemitas isolados desde o início do conflito em Gaza.

Muitos deles estavam ligados às manifestações pró-palestinos, o que sugere que os atos foram respostas diretas ao próprio conflito. Durante os protestos na França e na Alemanha, por exemplo, os extremistas marginais atacaram judeus, sinagogas e negócios pertencentes a judeus. Em outros lugares ao redor do mundo, os protestos contra a operação de Israel em Gaza ficaram pesados, com símbolos antissemitas, cânticos e incidentes de agressão, o que sugere que as pessoas realmente estão convertendo sua raiva sobre Gaza em comportamento antissemita.

Alguns dos incidentes antissemitas mais isolados foram respostas óbvias para o conflito atual. Em 30 de julho, por exemplo, um médico em Antuérpia rejeitou um paciente judeu, dizendo para a mulher cujo filho estava doente que ia “mandá-la para Gaza por algumas horas, que assim ela vai se livrar de sua dor.”

Outros são mais sutis, mas ainda difíceis de ver fora do contexto do conflito. Em 18 de julho, alguém jogou um tijolo na janela da sinagoga de Belfast, na Irlanda do Norte. Em 31 de julho, alguém vandalizou a sinagoga principal em Malmo, na Suécia, e em seguida, em 02 de agosto, pessoas gritando “malditos judeus” atacaram um rabino. Em 26 de julho, os vândalos picharam paredes na zona judaica de Roma com mensagens antissemitas, incluindo suásticas e a frase “Historinhas de Anne Frank”, o que podemos supor que seja uma reivindicação muito velada de que o Holocausto nunca aconteceu.

A Liga Anti-Difamação mantém uma lista desses incidentes e ela cresceu desde 8 de julho. Então, é claro que o conflito está causando um efeito.

Mas estes são apenas os mais recentes incidentes numa tendência de longo desenvolvimento. A Europa teve um problema crescente de antissemitismo por anos. É apenas mais evidente enxergá-los estes dias sob as luzes brilhantes da guerra em Gaza.

Em 2013, a Agência Europeia dos Direitos Fundamentais publicou um relatório preocupante sobre a prevalência de antissemitismo em oito países da UE: Bélgica, França, Alemanha, Hungria, Itália, Letônia, Suécia e Reino Unido. Depois de entrevistar cerca de 6 mil auto-identificados judeus europeus, a entidade constatou que 66% consideravam o antissemitismo um “problema muito grave” na Europa. A França tem as piores marcas. Cinquenta e dois por cento dos entrevistados disseram que era um “grave problema” e 33 por cento um “um problema muito grave”.

Faça as contas e você tem 85 por cento dos judeus franceses considerando antissemitismo um problema em seu país. Talvez ainda mais preocupante: 76 por cento de todos os entrevistados europeus acreditam que o problema piorou nos últimos cinco anos.

E se você voltar para relatórios de incidentes da Liga, e olhar para antes de 8 de julho, você vai encontrar muitos motivos para se preocupar. A França teve vários incidentes desde o início do conflito, mas também houve vários incidentes nos meses que o antecederam.

O antissemitismo tem sido um problema crescente na maioria dos países monitorados pela Liga Anti-Difamação. Em 10 de março, alguém em Estocolmo atacou uma escola onde os alunos judeus estavam tendo aulas. Eles pintaram uma suástica, bem como as frases “porcos judeus” e “judeus nojentos.” Na Itália, em 25 de janeiro, você vai encontrar uma série aparentemente coordenada de atos antissemitas em Roma. Alguém enviou cabeças de porcos à principal sinagoga de Roma, ao museu judaico, e à Embaixada de Israel.

Especialistas dão uma série de explicações para o incremento na retórica anti-judaica, do vandalismo e dos ataques. Eles vão desde a mudança dos padrões de imigração (mais imigrantes provenientes de países e regiões com histórico de antissemitismo virulento), ao retorno dos partidos políticos de extrema-direita, até a recessão em curso, socialmente desestabilizadora, que tem alimentado todos os tipos de ideologias tóxicas e xenofobia, incluindo o antissemitismo.

Por enquanto, uma coisa é certa: a Europa tem um problema de antissemitismo.

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