“Nós não esquecemos. Nós não perdoamos.”

Pássaros que voam na mesma direção: símbolo do Anonymous

Recebi uma mensagem que vale a pena publicar aqui. É, presumivelmente, de um integrante brasileiro do Anonymous, o grupo libertário de internet que acorreu em defesa do Wikileaks com a “Operação Revanche”, uma série de ataques a empresas que estão “capitulando” a pressões do governo americano. (O caso mais recente foi o site da Mastercard, atacado depois que a empresa decidiu fechar a conta do Wikileaks.)

A carta chegou a mim assinada por Anonymous. É uma tradição que vem desde os primórdios do grupo, quando internautas trocavam recados e observações no célebre 4chan unidos sob o codinome Anonymous. Você percebe, pelo nosso Anonymous, que há uma cisão. Coldblood, descrito pelo Guardian como porta-voz do Anonymous, é chamado aqui de “câncer”. Há um asco manifesto ao mundo físico. No comentário que chegou a mim, o autor critica o protesto físico feito num episódio em que o Anonymous se bateu com a Igreja da Cientologia.

À leitura:

Vamos lá, hora de refutar as falácias com fatos. Coldblood não representa Anonymous, justamente por estar distinto dos outros por uma alcunha própria: ele é considerado câncer, assim como as manifestações no mundo físico são inteiramente realizadas por este câncer. O âmbito de Anonymous é o mundo virtual. Como uma mente-colméia, somos um só. Não é apenas um “grupo de hackers”. É a representação da consciência coletiva de determinados indivíduos que recebem o conhecimento de cantos obscuros das Internets.

O que deve ser entendido é que Anonymous absolutamente não está fazendo isso em prol da Wikileaks, ou de Assange. Achamos louvável a distribuição das informações confidenciais, mas pelos nossos motivos. Não pelos motivos morais de “divulgar a verdade”, isso não nos interessa. Interessa o caos e as risadas que podemos extrair disso. Essa graça derivada da desgraça, quando multiplicada, torna-se nosso mel: o lulz, a “corrupção do lol”, como diz a nossa Faux News. Na verdade, para o verdadeiro membro de Anonymous, não importa de Assange morra, fique preso, ou se acontece uma revolução mundial e a paz e a verdade sejam impostos com alegria. Importam as piadas que podemos fazer da situação. Aconteceu de, no âmbito das Internets, terem censurado um veículo de a) informação e b) lulz.

A Internet não é de nenhum Governo. Não é da Polícia. Não é dos black hats. A Internet é nossa. E ninguém tem o direito de mexer, de censurar nossas Internets sem sair ileso. Foi assim com a Cientologia (que depois causou o lamentável episódio das manifestações no mundo físico), será assim com ferramentas que censurem a disseminação de informação. Não existe censura ou barreira por aqui. A liberdade é um conceito absoluto, para pássaros que voam numa mesma direção. Enquanto unidos, somos família. Nós somos Anonymous. Somos Legião. Nós não esquecemos. Nós não perdoamos.

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