Napoleão, o papa e Apolo

Napoleão apresenta o Apolo Belvedere aos franceses

De Paris

Escrevi no texto anterior sobre as pilhagens de arte napoleônicas que deram uma nova estatura ao Louvre.

Mostro agora uma imagem, vinda de um quadro de um pintor anônimo.

Napoleão mostra, orgulhoso, uma obra que “transferira” para Paris depois de uma campanha vitoriosa na Itália. É o Apolo Belvedere, uma escultura grega que por muitos séculos foi um simbolo da beleza masculina ocidental. O autor é desconhecido.

O Apolo fazia parte da coleção de arte do Vaticano. Napoleão surrupiou-a, em meio a muitas outras obras de arte dos papas. Era uma das maneiras que achara para mostrar ao papa que quem mandava na Europa agora era ele. Na mesma linha, o grande quadro de David “A Coroação de Bonaparte” —  meu favorito disparado no Louvre — capta um instante altamente significativo de Napoleão e sua nova ordem.

A caçula Camila fotografada pelo pai em frente do grande quadro de David

David, o maior pintor da era napoleônica, mostra Napoleão com uma coroa, prestes a depositá-la na cabeça delicada, feminina, bonita de Josefina, sua mulher. O papa, presente à cerimônia, é quem, pelo protocolo, deveria coroá-la. Foi uma mensagem e um insulto ao mesmo tempo o gesto de Napoleão. No quadro, o papa aparece claramente diminuído, humilhado, com ares de coroinha de igreja suburbana.

Quando Napoleão caiu, evidentemente o Vaticano se rejubilou, junto com as forças retrógradas e conservadoras da Europa.

E o Apollo Belvedere foi devolvido à coleção do papa.

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