Minha treta no Twitter com Clara Averbuck. Por Paulo Nogueira

Clara
Clara

Tretas no Twitter quase sempre não merecem registro.

Mas vou falar de uma específica porque diz respeito a diferentes visões da cultura da internet.

De um lado, a feminista Clara Averbuck, do site Lugar de Mulher. De outro, eu.

A treta começou quando publicamos um artigo de Clara.  Demos, naturalmente, crédito e link.

Mas não pedimos autorização prévia.

A encrenca veio daí.

Minha experiência na mídia digital me convenceu de que faz parte da cultura da internet um certo espírito de compartilhamento.

Estranhei, nos primeiros tempos de DCM, ver artigos meus republicados em vários outros sites.

Cheguei a reclamar, em certos casos. Nem sempre era dado o link para o texto original, por exemplo.

Com o passar dos dias, fui chegando à conclusão de que eu estava pensando com cabeça de papel, de mídia impressa.

A velocidade das coisas na internet complica pedidos de autorização. Você perde tempo e, muitas vezes, a ocasião de publicar um artigo que vai contribuir para a discussão de algum assunto relevante.

Concluí que, desde que dados crédito e link, tudo bem em que sejam publicados textos nossos.

Muitas vezes, num mesmo dia, há artigos do DCM em uma dezena de sites.

Revi minha posição sobre as perdas na publicação de conteúdo nosso. Primeiro, os leitores que gostam dos artigos sabem que, para ler em primeira mão nosso conteúdo, terão que nos visitar.

Depois, pessoas que não nos conhecem podem ser apresentadas ao DCM por outras vias.

No mundo ideal, seríamos remunerados, mas a internet, neste momento, ainda engatinha no capítulo do dinheiro.

Para o DCM, a cultura da internet permite, ou até estimula, a reprodução de textos em outros sites. Com crédito e link, mas sem a perda de tempo acarretada pelo pedido de autorização.

Aqui, é preciso informar que 95% dos artigos que publicamos são de nossa autoria mesma.

Os 5% restantes são um espaço para coisas interessantes de outros sites. Desde, é claro, que seus editores comunguem dos mesmos ideais.

Não é o caso de Clara. E por isso não apenas tiramos imediatamente do ar o texto do Lugar de Mulher como decidimos jamais voltar a dar nada de lá.

Para Clara, o conteúdo do Lugar de Mulher deve ser lido, exclusivamente, lá mesmo.

A treta girou

em torno disso. A rigor, ela se deu em duas etapas. Já tínhamos discutido antes e voltamos a debater, meses depois, quando o assunto ressurgiu no Twitter.

Como o DCM é lido por um público diferente do que frequenta o Lugar de Mulher, achei que muitos leitores poderiam conhecer, por nós, o site de Clara.

Ela, como já disse, pensa diferente.

A discussão ganhou calor porque, como costuma ocorrer no Twitter, pessoas passaram a palpitar entusiasmadamente sem saber do que se tratava.

Clara ficou especialmente brava comigo quando eu disse que ela mostrava demasiado apego e sentimento de posse pelos textos do Lugar de Mulher.

A internet, para mim, tem um componente libertário que não bate com o cerco à republicação dos seus artigos.

Qual visão reflete melhor a cultura da internet, a de Clara ou a do DCM?

Isso vai ficar mais claro à medida em que a mídia digital avançar e, com ela, os debates editoriais e éticos entre seus protagonistas.

Mas confiamos que o caminho que será tomado é aquele que hoje o DCM, depois de muitas reflexões, já trilha.

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