Mais 2 camponeses massacrados e um novo marco do governo Temer: mortes no campo são recorde em 2017

POR EDUARDO REINA, jornalista e escritor, autor de “Depois da Rua Tutoia”, entre outros livros

A violência dispara no Brasil, sob a batuta de Michel Temer na presidência da República, e quebra recordes de assassinatos no campo.

O Pará se transformou numa terra sem lei, como no velho Oeste dos Estados Unidos, onde vale a força de quem tem armas nas mãos.

Hoje pela manhã um casal de camponeses foi brutalmente assassinado na cidade de Itupiranga, região de Tucuruí, no sudeste do Pará. Com mais esses dois casos, já são cerca de 20 camponeses mortos no Pará desde o fim de maio, sem contar com o assassinato de dois prefeitos paraenses no mesmo período.

De janeiro a maio de 2017, o Brasil contabilizou 37 assassinatos em conflitos por terra, de acordo com dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Agora esse número sobre para 39. Trata-se de um recorde macabro, não registrado desde 2008.

No ano passado, no mesmo período de cinco meses, 30 pessoas haviam sido assassinadas em áreas indígenas, quilombolas ou em territórios em disputa com lideranças sem–terra e fazendeiros. É um dos anos mais violentos nos campos brasileiros. Uma tragédia para os sem-terra.

Hoje pela manhã, pistoleiros invadiram o assentamento PA Uxi, no município de Itupiranga, e balearam o casal de agricultores Manoel Índio Arruda, de 82 anos, e sua esposa, Maria da Luz Fernandes da Silva, de 60 anos.

O assentamento Uxi foi criado em 2005 na antiga Fazenda Amazônia, uma área de 7.220 hectares, que abriga hoje 176 famílias.

De acordo com a CPT de Marabá, há anos Manoel vinha procurando o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e outros órgãos governamentais requerendo providência sobre reconcentração de lotes no assentamento Uxi e outros problemas com limites de terras.

Ontem, Jones William da Silva Galvão, prefeito de Tucuruí, foi morto a tiros. Seu corpo será enterrado amanhã, quinta-feira. Em maio, Diego Kolling, prefeito de Breu Branco, também havia sido morto a tiros por pistoleiros, enquanto andava de bicicleta na rodovia PA-263.

“O Pará está entregue à violência, ao descaso governamental e a impunidade. O governador Jatene e o sistema judiciário paraense são os responsáveis pelo banditismo que toma conta da vida da Amazônia paraense”, afirma Paulo Fonteles Filho, do Instituto Paulo Fonteles de Direitos Humanos.

No dia 24 de maio, uma ação das polícias Militar e Civil do Pará resultou na morte de dez pessoas na fazenda Santa Lúcia, município de Pau D’Arco. A propriedade é alvo de disputa entre um fazendeiro e 150 famílias que ocupam a área desde maio de 2015. Perícia confirmou a atuação dos policiais na chacina.

A Comissão Pastoral de Terra informou que o Incra fez repetidas ofertas pela propriedade. Mas os valores não foram aceitos pelo proprietário. Vinte e nove policiais envolvidos no crime foram afastados de seus postos pelo governo paraense.

Documento do lote da vítima

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