Londres durante Wimbledon

A estátua de Perry em Wimbledon

“O sonho mais uma vez acabou”, disse a locutora da BBC tão logo o britânico Andy Murray foi derrotado por Rafael Nadal nas semifinais de Wimbledon.

Desde 1936 um britânico não vence Wimbledon. O último foi Fred Perry, um homem de origem humilde que jamais foi inteiramente aceito pelos ricos que dominavam a Associação Inglesa de Tênis, mesmo tendo não apenas  conquistado três vezes Wimbledon como liderado quanto vezes a Inglaterra em virórias na Davis. Perry acabaria se naturalizando americano. Somente em 1984 uma estátua sua foi colocada em Wimbledon.

Perry foi um atleta único. Também em tênis de mesa foi um campeão.  O pinguepongue influenciou seu estilo como tenista. Um biógrafo foi cruel. Escreveu que o jeito esquisito de Perry “arruinou” o tênis ingleses porque os  jovens jogadores tentavam copiá-lo sem sucesso.

Não vencer Wimbledon é uma frustração doída para os ingleses, Londres, nas duas semanas do torneio, como que se transforma numa quadra gigantesca de tênis. A cidade gira em torno  de Wimbledon. Novos heróis são sagrados, velhos heróis lembrados numa celebração incessante. Não há paralelo nisso: os ingleses dão muito mais importância a Wimbledon do que os franceses a Roland Garros.

Nos primeiros dias, em Roland Garros, você percebe grandes vazios nas arquibancadas, mesmo nas quadras principais. Wimbledon está repleto desde o primeiro jogo.

O amor por Wimbledon é tanto que nem 64 anos de decepções são capazes de mitigar. Ao contrário. A cada ano, quando o verão anuncia a estação do tênis, os ingleses, a despeito da prolongada abstinência, estão ávidos por declarar, ou melhior, gritar seu imenso, incondicional amor por Wimbledon.

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