Jornalistas em guerra

O banho pode ficar para depois

O que acontece quando um grupo de empresas jornalísticas se junta em torno de um projeto?

Fácil.

Batata. Batatíssima, como dizia Nelson Rodrigues.

Um conflito nada edificante de vaidades.

Dois livros que estão sendo lançados mostram os bastidores da aliança que os jornais  New York Times e Guardian e a revista Spiegel celebraram com o Wikileaks em torno da divulgação dos telegramas vazados da diplomacia americana.

O que se vê com diferentes perspectivas, em ambos os livros, é que os parceiros não se deram nada bem.

Um dos livros foi escrito pelo diretor de redação do NY Times, Bill Keller. Ele afirma que Julian Assange tentou tirar o seu jornal da empreitada por achar que havia muita condescendência com o governo americano.  Keller traça um perfil nada bonito de Assange. Reproduz uma frase de um jornalista do Times que esteve com Assange num encontro. Assange, segundo este jornalista, cheirava como se não tomasse banho fazia dias.

Diz também, desdenhoso, que Assange parece um Peter Pan. Um dia, estava andando com um grupo de jornalistas, diz Keller, e subitamente começou a dar saltos como uma criança, para “perplexidade” dos acompanhantes. Depois recuperou os passos comuns.

Pode haver aí alguma inveja da proeminência que Assange e o Wikileaks adquiram na galáxia jornalística. A verdade é que faz muito tempo que o Times não publica nada remotamente parecido, em impacto, com os furos do Wikileaks. O último grande tento do Times foram os papéis do Pentágono, mas isso foi há décadas.

O outro livro é dos jornalistas da revista alemã Spiegel. Eles defendem Assange, que dizem ter sido vítima de um complô por parte do NY Times e do Guardian. Os dois jornais, de acordo com os jornalistas da Spiegel, teriam tentado publicar os documentos passados pelo Wikileaks antes do prazo combinado.

Você lê o relato dos alemães e conclui que nem o Times e nem o Guardian são parceiros confiáveis. Depois lê Keller e pode achar que o Wikileaks e Assange é que não prestam.

Todos falam mal de todos.

E é possível que todos tenham razão.

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