A Igreja Católica e o Papa aceitam mamilos femininos, o Facebook não. Por Nathalí Macedo

Francisco

“Sintam-se livres para amamentar seus filhos aqui”, disse o papa moderninho na Capela da Sistina.

A igreja católica, aparentemente, embora esteja longe de ser santa – licença-trocadilho – não é mais o arqui-inimigo do progressismo libertário: no Brasil, especificamente, os evangélicos é que ocupam quase metade do Congresso Nacional e atravancam pautas importantes como aborto e legalização das drogas.

Em se tratando de opressão de gênero, por exemplo, o fundamentalismo dos evangélicos só perde para o fundamentalismo islâmico no Oriente Médio  – registre-se que eu sei que é feio ser de esquerda e falar mal do islamismo, mas é necessário falar mal de qualquer coisa que fira a liberdade.

O histórico de conservadorismo da Igreja Católica, entretanto, faz com que declarações como esta ainda sejam ouvidas com espanto, sobretudo quando advindas do papa, e é no mínimo louco pensar que o líder da Instituição mais conservadora da história da humanidade aceite mamilos femininos como naturais – porque são -, enquanto o Mark Zuckerberg, por exemplo, ainda apresenta tanta resistência.

O problema do Instagram e do Facebook com mamilos femininos é para mim um mistério insolúvel: este é o Século XXI e as redes sociais metidas a progressistas estão ficando atrás até da Igreja Católica, ainda que teoricamente apoiem causas importantes – e que rendem muitos cliques – como LGBTfobia e feminismos.

O Facebook não apoia o feminismo, quer acessos a partir do feminismo.

Digamos que seja bacana pro Tio Zuck que a militância digital movimente suas empresas – que não esqueçamos que redes sociais são empresas – de forma tão impactante, mas permitir mamilos já é demais.

As redes sociais, é óbvio, seguem a lógica das relações sociais: mães não podem amamentar no metrô, nos shoppings ou nas ruas sem serem sexualizadas e estigmatizadas, por que afinal haveriam de poder no grande shopping virtual e privado chamado Facebook?

A censura das redes sociais é a censura da vida real, que sempre pesou e ainda pesará sobre os nossos corpos, e, a esta altura, nem mesmo o papa pode fazer muito a respeito.

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