Homens que não encontram o clitóris. Por Nathalí Macedo

Beautiful woman with hands on face and red nails

Há mais mulheres abusadas entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia.

Você foi abusada, talvez dezenas de vezes, e talvez em nenhuma delas tenha se dado conta, porque nos ensinaram que abusos são gestos de amor.

Naquele encontro em que você desistiu de transar mas acabou cedendo, porque afinal você já estava lá e “você não é mulher de frescuras.” Ou com aquele primeiro namorado que te pressionou a perder a virgindade porque “ele é homem e tem as necessidades dele.” Ou naquele dia em que você não estava tão a fim, mas o seu cônjuge queria transar e que tipo de mulher não transa com o próprio marido?

Eu detesto intimamente essa contatação cruel, mas, permita-me: o prazer sexual não é feito para as mulheres. Serve apenas ao deleite masculino.

A maioria esmagadora dos homens que detestam chupar bocetas – e criam uma indústria gigantesca de produtos de higiene íntima que tenta nos convencer de que somos podres – ou que nunca conseguem encontrar o clitóris não são uma excessão ou uma ocorrência banal e fora de contexto: eles apenas confirmam a triste teoria de que homens não estão interessados em compartilhar prazer com suas mulheres. A maioria está interessada, antes disso, em obter prazer a partir dos corpos de suas mulheres.

E se a maioria dos homens transa conosco objetivando apenas a obtenção de prazer – e não necessariamente nos devolver esse prazer – o sexo é, para as mulheres, no mínimo injusto.

É por isso que estes os homens não encontram o clitóris, agem como britadeiras enfurecidas ou não passam de pirocas com vida própria. Estes, coitados, que julgam deleitarem-se sobre nossa lascívia, na verdade ainda não compreenderam o verdadeiro sentido do prazer sexual – a troca, a intensidade, o provocar sensações – e justamente por isso eles não fazem sexo, apenas gozam.

O prazer que encontram é pueril porque não parte da conexão. Estes homens são completamente inábeis a conectarem-se verdadeiramente com uma mulher porque ninguém jamais lhe ensinou que sexo é sobre troca.

São estes homens que crescem e estupram suas mulheres em seus próprios leitos sob argumentos assustadoramente convincentes, são estes que imitam pateticamente os filmes pornográficos (que não têm e não terão nada de útil a lhes ensinar), porque, quando vêem uma mulher, não conseguem enxergar o humano: apenas o corpo, o objeto de prazer.

Eles, que consideram normal transar sem vontade porque relações afetivas pressupõem necessariamente obrigações sexuais (como se sexo fosse obrigação), ainda não descobriram o verdadeiro barato de trepar. E se algum dia descobrissem – de tão acostumados com a punheta terceirizada – talvez saíssem correndo como lebres assustadas.

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